O deputado federal eleito Guilherme Cortez (Psol-SP) afirmou ter "plena convicção" de que o presidente Lula (PT) pode ganhar o segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), caso sua campanha mobilize os eleitores.
Convocado a Brasília para colaborar com a estratégia digital do petista, Cortez avaliou que a campanha do primeiro turno não despertou o engajamento necessário, mas que o cenário pode mudar.
Em entrevista ao Congresso em Foco, Cortez defendeu que a prioridade é recuperar parte dos eleitores que apoiaram Lula em 2022, mas ainda não compareceram às urnas neste ano. Ele citou a abstenção de 33 milhões de pessoas e reconheceu falhas na mobilização.
"Nossa campanha cometeu um erro de não conseguir mobilizar, motivar as pessoas a saírem de casa para votar na gente por uma série de motivos. Se a gente resolve isso, e eu acho que temos plenas condições de fazer isso acontecer, podemos ganhar a eleição. Para isso, precisamos fazer uma campanha muito mais engajada e motivadora do que foi no primeiro turno."
Cortez também defendeu que a campanha procure eleitores de candidaturas derrotadas, como as de Augusto Cury e Renan Santos. Na avaliação do deputado eleito, a disputa pode ser revertida com maior participação popular e propostas ligadas ao cotidiano, como o fim da escala 6x1, a redução do custo de vida, a tarifa zero no transporte público e o acesso à moradia.
A declaração, para o deputado eleito, se aplica à comunicação do movimento político de modo geral. "Se a esquerda não souber como se comunicar, nem na forma, nem no conteúdo, a gente vai perder uma geração", afirmou. Segundo Cortez, a disputa política não será vencida apenas com vídeos mais atrativos. "A gente tem que melhorar muito a nossa comunicação, mas melhorar o conteúdo também", acrescentou.
Ao defender as propostas do campo progressista, o deputado afirmou: "O nosso lado, de fato, é capaz de resolver os problemas e não aprofundar os piores elementos". O parlamentar defendeu que a esquerda combine uma comunicação mais eficiente com propostas que respondam aos problemas reais dos jovens.
Judiciário
Durante a entrevista, Cortez também fez críticas à crise enfrentada no Poder Judiciário. Ao mencionar o caso Master, o parlamentar questionou o que considera relações privilegiadas entre pessoas com grande poder econômico e integrantes das instituições públicas.
"É uma vergonha o que acontece no Poder Judiciário", afirmou. Cortez argumentou que defender a democracia não significa aceitar o funcionamento atual das instituições sem questionamentos. Segundo ele, a esquerda precisa reconhecer problemas no Congresso e no Judiciário para não deixar o discurso de insatisfação popular exclusivamente nas mãos da direita.
"E não nos cabe defender isso do jeito que está", declarou, ao abordar a necessidade de mudanças institucionais. O parlamentar também defendeu uma reforma do Judiciário e criticou o distanciamento entre as instituições e a realidade da população.