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Flávio acusa campanha de Lula de fake news e pede bloqueio de perfis

Ação no TSE aponta 218 publicações falsas ou descontextualizadas, com 11,6 milhões de visualizações, e pede a suspensão de 32 contas do Instagram.

9/10/2026
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O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente Lula (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), acusando a campanha adversária de participar de uma rede de desinformação com 1.525 perfis no Instagram. Segundo a denúncia, a estrutura utiliza publicações conjuntas para multiplicar ataques ao senador e inclui contas que se apresentam como oficiais da campanha petista.

A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije), protocolada na quinta-feira (8), foi distribuída ao corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. A defesa pede a suspensão de 32 perfis até o segundo turno, marcado para 25 de outubro, além da remoção de conteúdos considerados irregulares.

Campanha de Flávio alega que perfis com mais de 11 milhões de visualizações espalham desinformação contra ele.Flávio acusa campanha de Lula de fake news e pede bloqueio de perfis

O levantamento analisou 2.856 publicações de 146 perfis entre 5 e 7 de outubro. A partir das coautorias, identificou uma rede de 1.525 contas, com 5.882 conexões distribuídas em 16 grupos. Das postagens examinadas, 74% foram assinadas conjuntamente, recurso que permite ampliar o alcance dos conteúdos.

A campanha classificou 218 publicações como falsas (24) ou descontextualizadas e sem confirmação (194). Produzidas por 123 perfis, elas teriam acumulado 11,6 milhões de visualizações e 2,5 milhões de interações em 62 horas. A classificação das postagens ainda depende de avaliação da Justiça Eleitoral.

De golpe a jornadas de 16 horas

Entre os exemplos citados está um discurso de Flávio em Goiânia, no dia 6, no qual defendeu mudanças na Constituição por meio de uma eventual maioria no Congresso. Segundo a defesa, a declaração foi apresentada como ameaça de golpe. Ao todo, 39 publicações associaram a fala à implantação de uma ditadura ou ao fim das eleições, somando 3,5 milhões de visualizações.

Outro caso envolve o perfil @brasilcomlula, que se apresenta como oficial da campanha petista. A conta publicou uma montagem que intercalava declarações de Flávio sobre remuneração por hora trabalhada com relatos de abusos no ambiente de trabalho. A defesa considera a associação indevida. O vídeo alcançou 1,06 milhão de visualizações.

A ação também questiona postagens que atribuíam ao candidato a intenção de estabelecer jornadas de 16 horas diárias, acabar com direitos trabalhistas e previdenciários ou extinguir programas sociais. Há ainda acusações de divulgação de informações sem comprovação sobre fraude eleitoral e interferência estrangeira.

Ligação com a campanha de Lula

Para vincular a rede à candidatura petista, os advogados apontam o programa "Porta-Voz do Lula", identificado como propaganda eleitoral da coligação. A iniciativa mobiliza apoiadores pelo WhatsApp, distribui conteúdos e organiza "missões diárias", com rankings de participação.

Segundo a denúncia, os perfis @brasilcomlula e @portavozdolulabr integram dois dos maiores grupos identificados, que reúnem 544 contas e teriam produzido 60 publicações questionadas.

A petição também cita Gleisi Hoffmann e Paulo Pimenta como autores de conteúdos incluídos no levantamento. Os advogados reconhecem, porém, que nenhuma publicação examinada diretamente no perfil pessoal de Lula integra o conjunto considerado irregular e que nem todos os apoiadores identificados pertencem formalmente à campanha.

Bloqueio de contas e multas

Além da suspensão de 32 perfis, a defesa pede restrições temporárias às publicações em coautoria, remoção de conteúdos, identificação dos responsáveis pelas contas e preservação dos registros digitais. Para perfis de parlamentares, partidos, veículos de imprensa e da própria campanha petista, não solicita suspensão, apenas medidas contra as publicações questionadas.

Os advogados requerem multas de R$ 100 mil por hora de descumprimento de ordens dirigidas às plataformas e de R$ 50 mil por publicação mantida ou divulgada em desacordo com decisões judiciais.

No mérito, a ação busca o reconhecimento de uso indevido dos meios de comunicação social, irregularidade que pode resultar na cassação do registro ou diploma eleitoral e na inelegibilidade dos responsáveis.

A denúncia amplia a batalha judicial entre os presidenciáveis. Segundo a petição, Flávio, seu candidato a vice e o PL já haviam apresentado 244 ações ao TSE até 5 de outubro, das quais 47 envolviam publicações em coautoria.

Processo: Aije 0602742-32.2026.6.00.0000

Leia a íntegra da ação da campanha de Flávio
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