Eleito com 275.450 votos em São Paulo, Guilherme Cortez (Psol-SP) atribui parte de sua trajetória política ao trabalho nas plataformas digitais. O parlamentar iniciou sua militância no movimento estudantil, exerceu mandato de deputado estadual e agora chega à Câmara dos Deputados.
Em entrevista ao Congresso em Foco, o deputado eleito declarou que esquerda demorou a compreender a importância das redes e não pode tratar a comunicação digital como uma atividade inferior à militância presencial. "Se você faz política ignorando isso, você não faz política direito", declarou.
Apesar do avanço da direita nas cadeiras do Congresso, Cortez avalia com esperança a ascensão de jovens ligados à esquerda brasileira. "A esperança da esquerda passa pela renovação", afirmou o parlamentar.
Para o deputado eleito, os eleitores progressistas valorizaram candidaturas que conseguem dialogar com as novas gerações e apresentar temas políticos de maneira mais direta.
Avanço da direita
Cortez defendeu que a esquerda precisa compreender por que lideranças de direita conseguem conquistar tantos seguidores, especialmente entre os jovens. Para ele, não basta criticar os discursos dos adversários políticos ou atribuir sua popularidade à falta de informação.
"Temos que nos perguntar o que leva figuras tão incapazes e discursos tão irracionais a terem tantos adeptos, sobretudo numa geração que não pode sequer alegar a ignorância. É uma pergunta difícil, que exige você reconhecer algum tipo de qualidade do outro lado e reconhecer que nós não estamos indo tão bem, de alguma maneira."
O deputado eleito também apontou a importância de a esquerda fazer uma autocrítica sobre suas dificuldades de dialogar com esse público e apresentar respostas capazes de mobilizá-lo. Ele destacou que os jovens que estão votando pela primeira vez cresceram em um mundo marcado por questões sociais que justificam a insatisfação.
Esse cenário, segundo Cortez, ajuda a explicar por que parte dessa geração olha para o futuro com mais medo e ressentimento do que esperança. Para ele, compreender essas experiências é fundamental para entender o crescimento de discursos políticos que encontram espaço justamente nas frustrações e inseguranças da população.