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Vantagem de Lula caiu 5,7 milhões de votos nas cidades menores

Nos municípios de até 100 mil eleitores, Lula perdeu 2 milhões de votos e Flávio recebeu 3,67 milhões a mais que Jair. Nas cidades maiores, a mudança na diferença entre os candidatos foi menor.

9/10/2026
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O presidente Lula (PT) viu sua vantagem nos municípios de até 100 mil eleitores encolher em 5,68 milhões de votos entre os primeiros turnos de 2022 e 2026. Resultado da queda da votação do presidente e do avanço de Flávio Bolsonaro sobre o pai, Jair Bolsonaro, essa redução foi decisiva, na comparação aritmética, para a inversão da liderança nacional. O senador terminou à frente do petista por 2,22 milhões de votos.

Levantamento do Congresso em Foco com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que Lula recebeu 2,01 milhões de votos a menos nessas localidades, enquanto Flávio somou 3,67 milhões a mais que Jair. A combinação reduziu a vantagem do petista de 7,51 milhões para 1,83 milhão de votos, queda de 75,6%.

Esse saldo não compensou a dianteira de 4,07 milhões alcançada por Flávio nas localidades com mais de 100 mil eleitores. Preservada a vantagem de 2022 nas cidades menores, e mantidos os demais resultados de 2026, Lula teria terminado à frente do senador.

Em Bagé, no Rio Grande do Sul, Lula teve a maior perda absoluta de votos de Lula entre os municípios de até 100 mil eleitores,Prefeitura de Bagé

Os municípios de até 100 mil eleitores reúnem metade do eleitorado brasileiro, excluído o exterior, mas concentraram 67,5% da redução do saldo de Lula diante do candidato do PL. Nesse conjunto, a votação do presidente passou de 30,77 milhões para 28,76 milhões, queda de 6,5%. Sua participação nos votos válidos recuou de 53,25% para 48,34%.

A perda ocorreu apesar do crescimento dos votos válidos nessas localidades. A abstenção caiu de 21,84% para 20,90%, e o total de votos válidos presidenciais aumentou de 57,78 milhões para 59,51 milhões. Houve, portanto, 1,73 milhão de votos válidos a mais, enquanto Lula recebeu 2,01 milhões a menos.

O presidente também perdeu votos nas cidades maiores, mas o impacto sobre a diferença entre as candidaturas foi menor.

O recuo na participação de Lula foi mais intenso nas menores cidades. Nas localidades de até 5 mil eleitores, o presidente passou de 52,43% para 45,15% dos votos válidos, queda de 7,28 pontos percentuais. A perda diminuiu progressivamente nas sete faixas analisadas, até chegar a 0,89 ponto nas localidades com mais de 500 mil eleitores.

Sudeste e Sul concentram perda

Sudeste e Sul responderam por 77,7% dos votos que Lula recebeu a menos nos municípios de até 100 mil eleitores. Minas Gerais registrou a maior redução absoluta, de 431.524 votos, seguida por São Paulo, com 367.111; Rio Grande do Sul, com 343.291; e Paraná, com 242.988. Juntos, os quatro Estados concentraram 69% do recuo nesse conjunto.

O avanço de Flávio sobre Jair teve outra distribuição. O Nordeste apresentou o maior crescimento nas cidades desse porte: 1,27 milhão de votos. Nessas mesmas localidades nordestinas, Lula recebeu 146,6 mil votos a menos.

Bagé (RS) exemplifica a mudança de liderança. O presidente perdeu 7.061 votos, a maior redução absoluta entre os municípios de até 100 mil eleitores. Sua vantagem de 8.495 sobre Jair em 2022 virou uma desvantagem de 271 diante de Flávio. Em Ituiutaba (MG), Lula continuou à frente, mas por uma margem estreita. Recebeu 5.993 votos a menos, e sua vantagem caiu de 9.414 para apenas 230 votos.

São Paulo puxa recuo nas capitais

Nas 27 capitais, incluindo Brasília, Lula recebeu 465.363 votos a menos que no primeiro turno de 2022. O total passou de 12,68 milhões para 12,21 milhões, redução de 3,7%. A votação caiu em 17 capitais e cresceu em dez.

São Paulo teve a maior perda absoluta do presidente em todo o país: 224.163 votos. A capital paulista respondeu por 48,2% do saldo negativo das capitais. Lula manteve a liderança na cidade, mas sua vantagem sobre o candidato do PL caiu de cerca de 658 mil para 292 mil votos.

Salvador registrou a segunda maior perda, de 78.370 votos, mas permaneceu com a maior participação de Lula entre as capitais: 65,26% dos válidos. Proporcionalmente à votação recebida em 2022, a maior queda ocorreu em Goiânia, de 15,08%.

Brasília teve o maior acréscimo absoluto, com 26.093 votos adicionais para o presidente, embora Flávio tenha continuado à frente. Nenhuma capital mudou de lado: Lula liderou em 11, e Flávio, em 16, a mesma divisão observada entre o petista e Jair quatro anos antes.

Osasco muda de lado; Niterói amplia votação

Fora das capitais, Lula recebeu 928 mil votos a menos nas 194 cidades com mais de 100 mil eleitores, redução de 6,8%. Sua votação aumentou em 31 e diminuiu em 163. São Bernardo do Campo, berço político do presidente, teve a maior perda nesse grupo, de 25.116 votos, seguida por Guarulhos, com 24.858. Lula manteve a liderança em São Bernardo.

Em Osasco, recebeu 18.905 votos a menos. A vantagem de 19.810 sobre Jair virou uma desvantagem de 8.948 diante de Flávio. Foi a única localidade com mais de 500 mil eleitores pelo cadastro de 2026 que mudou de liderança entre os primeiros turnos. Niterói (RJ) seguiu na direção contrária: o presidente acrescentou 6.728 votos, e sua participação nos válidos subiu de 46,56% para 48,35%.

Votos em disputa no segundo turno

Lula e Flávio voltarão às urnas em 25 de outubro. Recuperar terreno nas cidades de até 100 mil eleitores é um dos desafios do presidente, mas os grandes centros também concentram votos em disputa.

Os candidatos eliminados somaram 3,81 milhões de votos nas localidades de até 100 mil eleitores, equivalentes a 6,41% dos válidos. Nas cidades com mais de 100 mil a 500 mil, receberam 2,58 milhões, ou 8,79%. Acima de 500 mil, foram 2,89 milhões, ou 9,61%.

As cidades menores têm o maior contingente absoluto de votos dessas candidaturas, enquanto os grandes centros apresentam a maior participação proporcional. Esses votos, porém, não serão necessariamente transferidos em bloco para um dos finalistas.

Como foi feita a comparação

O Congresso em Foco classificou as localidades pelo eleitorado cadastrado em 2026 e manteve cada uma na mesma faixa nos dois anos. Os percentuais consideram todos os votos válidos para presidente, incluindo os demais candidatos.

A comparação histórica exclui o exterior e Boa Esperança do Norte (MT), município presente apenas em 2026. Inclui o Distrito Federal e Fernando de Noronha, tratados como unidades municipais na base eleitoral. A exclusão adicional de Sorriso e Nova Ubiratã, afetados pela criação do município mato-grossense, preserva a conclusão central.

Os resultados mostram onde a votação mudou, mas não identificam o destino individual dos votos. As diferenças também refletem alterações no eleitorado, no comparecimento e na votação dos demais candidatos.

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