O ex-candidato à presidência da República Renan Santos (Missão) reagiu nesta sexta-feira (9) à pressão para declarar apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em vídeo publicado nas redes sociais, denunciou tentativas de dividir o Movimento Brasil Livre (MBL) e o partido Missão para forçar a adesão à candidatura do senador, após o anúncio do apoio de Augusto Cury (Avante).
"Ninguém vai vir empurrar a mim e ninguém vai vir empurrar o nosso grupo. Nós temos dignidade. Nós não somos iguais aos demais candidatos. (...) Ninguém me conduz e ninguém conduz o nosso grupo. Eu criei o nosso grupo pra ser independente", disse.
Segundo Renan, pessoas procuraram integrantes do MBL e do Missão para convencê-los a apoiar Flávio, sob o argumento de que a resistência à candidatura seria motivada pelo ego do ex-presidenciável. O dirigente rejeitou a acusação de personalismo e lembrou que passou a maior parte de sua trajetória política trabalhando nos bastidores para eleger outros integrantes do movimento.
Veja a fala:
Renan também criticou a postura de apoiadores de Flávio Bolsonaro, que passaram a cobrar alinhamento político dos integrantes do Missão após uma campanha marcada por ataques à legenda. Para o ex-candidato, a exigência de unidade da direita desconsidera as divergências que mantêm seu grupo afastado do bolsonarismo.
"Quer dizer, me chamaram de esquerdista e comunista a campanha toda. Aí chega o segundo turno, agora eu sou direitista, agora eu tenho obrigações com a direita?", questionou.
O ex-presidenciável avaliou que a influência da família Bolsonaro dificulta o crescimento eleitoral de outras lideranças conservadoras. Renan também sustentou que suas propostas eram mais à direita que as apresentadas por Flávio, mas que essa identificação ideológica não o obriga a seguir a orientação dos demais candidatos derrotados.
Apoio de Augusto Cury
O escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante), terceiro colocado no primeiro turno das eleições presidenciais, declarou apoio a Flávio Bolsonaro na quinta-feira (8), após o candidato do PL aceitar incorporar oito compromissos de seu programa de governo. O acordo foi firmado durante uma videochamada entre os dois, e anunciado por Flávio em uma transmissão nas redes sociais.
Entre os compromissos estão o fim da reeleição presidencial, a valorização salarial dos professores, a ampliação da assistência à saúde mental e a criação de uma rede pública de telemedicina integrada ao SUS. O documento também prevê políticas de proteção às mulheres, incentivos às microempresas e à agricultura familiar, além da meta de dobrar a produção brasileira de alimentos nos próximos dez anos.
O entendimento prevê ainda compromissos de transparência, responsabilidade fiscal, respeito às instituições democráticas e pacificação política, sem distribuição de cargos ou vantagens pessoais. Cury recebeu 2,89% dos votos válidos no primeiro turno, enquanto Renan Santos terminou a disputa com 2,24%.