Como diz o velho provérbio, ninguém chuta cachorro morto. A corrida ao Tribunal Superior Eleitoral, com pedidos urgentes, decisões em pleno domingo e uma sucessão de disputas sobre o que pode ou não ser dito na campanha, é um retrato eloquente do acirramento da eleição presidencial e de que não nada decidido.
A duas semanas do segundo turno, marcado para 25 de outubro, Lula e Flávio Bolsonaro travam uma batalha que vai muito além das urnas. Cada publicação, cada vídeo e cada canal de comunicação do adversário se transformou em objeto de disputa judicial. O que se vê é uma eleição em que nenhum dos lados parece disposto a ceder um palmo de terreno.
Somente neste fim de semana, o presidente do TSE, Nunes Marques, determinou a suspensão do canal de WhatsApp "Exército do Lula", administrado pelo deputado André Janones e acompanhado por mais de 3 milhões de pessoas. Também mandou retirar propaganda petista que associava Flávio Bolsonaro ao caso Banco Master e seu vice, Alfredo Gaspar, a uma acusação criminal. Já André Mendonça determinou neste domingo a suspensão do impulsionamento de publicações pagas contra Flávio, alcançando 441 links.
No sentido contrário, o TSE ordenou, no sábado, que Alfredo Gaspar retirasse um vídeo em que acusava Lula de receber propina. Na quinta-feira, a Corte também havia determinado a remoção de três publicações de Flávio Bolsonaro, duas delas associando o presidente a organizações criminosas e outra utilizando imagem produzida por inteligência artificial.
A movimentação acompanha um cenário eleitoral disputado. Pesquisas recentes apresentam resultados distintos: o Datafolha registrou 52% a 48% para Flávio nos votos válidos, enquanto o Vox apontou 50,86% para Lula e 49,14% para Flávio. São fotografias de momentos específicos, não um retrato dos movimentos diários da campanha.
Nos bastidores, campanhas e partidos também acompanham levantamentos internos e trackings não divulgados, cuja evolução não pode ser aferida publicamente. A intensidade da judicialização não serve, por si só, para medir a distância entre os candidatos. Mas é um indicador da importância que ambos atribuem a cada espaço de comunicação nesta reta final.
A Justiça Eleitoral, assim, transformou-se em mais uma arena da disputa presidencial. A campanha segue nas ruas, nas redes, na televisão e, agora, também nos gabinetes dos ministros, inclusive aos domingos.
Faltam 14 dias.
Para os eleitores, ainda há uma decisão a tomar.
Para as campanhas, não há tempo a perder.