Em entrevista concedida na sede do Congresso em Foco, o vice-líder do governo e líder administrativo do PV na Câmara, deputado Aliel Machado (PR), avaliou que os partidos de centro foram o grupo político que mais enfraqueceu no primeiro turno das eleições. Para o parlamentar, a radicalização da disputa eleitoral reduziu o espaço de forças políticas que considera importantes para o equilíbrio das relações entre Executivo e Legislativo.
"Não foi a esquerda que perdeu muito, não. A esquerda manteve seus patamares. O que você perdeu ali foi uma parte do centro", apontou.
Aliel manifestou preocupação com o avanço de grupos políticos mais radicalizados sobre o eleitorado de centro. O deputado defendeu a importância dessas legendas na construção de acordos parlamentares e na moderação das disputas políticas. "O centro traz um equilíbrio, o centro traz uma ponderação", ressaltou.
Nas eleições para a Câmara, o PL conquistou 121 cadeiras, enquanto a federação PT-PCdoB-PV elegeu 88 deputados, dos quais 70 são do PT. A federação PP-União obteve 87 vagas, seguida pelo PSD, com 43, Republicanos, com 41, MDB, com 36, e Podemos, com 27. No Senado, o PL elegeu 19 parlamentares e terá uma bancada de 28 integrantes em 2027. O PT permanecerá com nove senadores, o MDB terá oito e o PSD, cinco.
O resultado representou uma redução da presença dos partidos de centro nas duas Casas. A federação PP-União perdeu 18 cadeiras na Câmara em comparação com os eleitos de 2022, enquanto o MDB passou de 41 para 36 deputados. No Senado, o PSD sofreu a maior redução, passando de 13 integrantes no início de 2026 para cinco na próxima legislatura.
Lula maior que o PT
Aliel também apontou uma disparidade entre o capital político pessoal de Lula e a capacidade do PT de converter seu apoio eleitoral em representação no Congresso. Segundo o parlamentar, a votação obtida pelo presidente no primeiro turno demonstra que seu alcance entre os eleitores supera a força política de seu partido e das organizações que o apoiam.
Na disputa presidencial, Lula recebeu 45,16% dos votos válidos, contra 47,03% de Flávio Bolsonaro (PL), uma diferença de 1,87 ponto percentual. Apesar da proximidade entre os candidatos, o desempenho das respectivas legendas nas eleições legislativas apresentou uma distância maior, com 121 deputados eleitos pelo PL e 70 pelo PT.
"Isso demonstra que o presidente Lula é maior do que o próprio PT e que parte dessa militância que dialoga menos, do próprio partido deles, tem dificuldade em dialogar com a população", avaliou.
O deputado considerou que a dependência do capital eleitoral de Lula representa uma fragilidade para a sustentação política de seu campo. Para Aliel, o partido e seus aliados deveriam construir uma base de apoio capaz de alcançar os eleitores independentemente da liderança individual do presidente.
"O presidente se mostra maior do que o próprio entorno, o que deveria ser o contrário. Você precisaria ter uma estrutura maior do que a individualização de um ser", concluiu.