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Trabalhadores perdem 40 anos para ganhar 4 horas

Em 1988, a Constituinte rejeitou a jornada de 40 horas e fixou o limite em 44. Trinta e oito anos depois, Congresso finalmente aprova a redução que ficou pelo caminho.

15/10/2026
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O trabalhador brasileiro precisou esperar quase quatro décadas para conquistar quatro horas a menos de trabalho por semana. A conta impressiona: 38 anos de espera para uma redução de quatro horas. E o que hoje se celebra como novidade já era reivindicação antiga quando Ulysses Guimarães presidia a Assembleia Nacional Constituinte.

Em junho de 1987, a Comissão da Ordem Social chegou a aprovar a jornada de 40 horas semanais. Mas o entusiasmo durou pouco. Em 24 de fevereiro de 1988, a proposta foi derrotada no plenário por 308 votos a 193, com oito abstenções. Um acordo entre o PMDB e o Centrão encontrou a solução intermediária: nem tanto ao céu, nem tanto à terra. A jornada caiu de 48 para 44 horas. Os trabalhadores reivindicavam oito horas a menos; receberam quatro. As outras quatro ficaram para depois.

Entre os defensores das 40 horas estavam dois jovens deputados constituintes ligados ao movimento sindical: Luiz Inácio Lula da Silva e Paulo Paim. O primeiro chegaria à Presidência da República. O segundo atravessaria quase quatro décadas no Congresso, até participar, agora como senador, da votação que finalmente acolheu aquela reivindicação.

Constituição reduziu a jornada semanal de 48 para 44 horas, mas deixou de fora a reivindicação das 40 horas, agora acolhida pelo Senado após 38 anos de espera.Magnific

Na noite de quarta-feira (14), o Senado aprovou, por 75 votos a um, em dois turnos, a PEC que reduz a jornada semanal para 40 horas, sem diminuição salarial, e substitui a escala 6x1 por dois dias de descanso remunerado. Falta a promulgação. A implementação será gradual: 42 horas após dois meses e 40 horas após outros 12 meses.

O debate econômico permanece, com preocupações sobre custos e adaptações das empresas. Mas o contraste histórico é eloquente. Em 1988, os constituintes já discutiam produtividade, tecnologia, geração de empregos e qualidade de vida. São, em grande medida, os mesmos argumentos que atravessaram os 38 anos seguintes.

O Brasil precisou de quase quatro décadas para concluir uma redução de oito horas que poderia ter sido feita em 1988. Naquele ano, o Congresso concedeu metade. A outra metade atravessou uma geração inteira à espera de aprovação.

O relógio da história avançou 38 anos para que o relógio de trabalho pudesse recuar mais quatro horas.

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