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STF, Master e segurança: Veja destaques da sabatina de Lula na Globo

Presidente destacou ações do governo, proposta de continuidade e não poupou críticas ao governo Bolsonaro.

15/10/2026
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou na noite desta quinta-feira (15) de uma sabatina ao vivo da TV Globo na reta final da campanha para o segundo turno da eleição presidencial de 2026. A sabatina foi conduzida pela jornalista Renata Lo Prete.

Lula iniciou a entrevista destacando que a responsabilidade pela aprovação ou desaprovação do governo é dele. "Se apoiam o governo, eu sou eleito, então este é o justo", disse.

Apesar da declaração, Lula afirmou que os primeiros dois anos de seu atual mandato foram dedicados, segundo ele, à reconstrução de políticas públicas e da estrutura administrativa do governo federal.

"Nós passamos dois anos tentando recuperar esse país, foram 10 ministérios desmontados, quase tudo estava desmontado nesse país", declarou. O presidente citou a PEC da Transição como exemplo. O texto abriu R$ 145 bilhões adicionais no teto de gastos e permitiu recompor recursos para áreas como Bolsa Família, saúde e educação.

Maioridade penal

Lula afirmou ser favorável à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos. "O meu pensamento, enquanto cidadão brasileiro, em todo e qualquer crime hediondo, eu estou favorável a diminuir a maioridade", declarou.

Durante a entrevista, Lula também defendeu maior participação do governo federal no combate ao crime organizado. Segundo o presidente, a aprovação da PEC da Segurança Pública permitiria a criação do Ministério da Segurança Pública e uma definição mais clara das atribuições das forças policiais.

O petista afirmou ainda que pretende financiar 138 presídios em todo o território nacional, com o objetivo de fortalecer o sistema prisional e impedir que organizações criminosas continuem atuando de dentro das unidades.

Crise no STF

Segundo o presidente, a campanha ainda não avaliou se a crise envolvendo o STF prejudicou seu desempenho no primeiro turno das eleições presidenciais. "Não tenho uma avaliação disso, Renata, sinceramente eu não tenho", respondeu Lula.

O presidente afirmou que as críticas ao Tribunal estão relacionadas à atuação do ministro Alexandre de Moraes e à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de seu adversário no segundo turno, Flávio Bolsonaro.

"Obviamente que a extrema direita tenta jogar a Suprema Corte nas minhas costas porque eles querem caçar o Alexandre de Moraes, não é por conta do Banco Master apenas."

Lula defendeu a apuração das denúncias envolvendo ministros do STF e afirmou que o país precisará discutir uma reforma do Judiciário, incluindo critérios de escolha e mandatos para magistrados. Segundo o petista, ninguém está acima da lei e as suspeitas não podem ser ignoradas.

Sobre o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, Lula criticou sua participação em uma festa ligada ao Banco Master, em Londres, e afirmou que as explicações apresentadas não foram convincentes. Apesar de elogiar o trabalho do delegado, o presidente não garantiu sua permanência no cargo caso seja reeleito.

Privatização

O presidente criticou a privatização da Eletrobras e relacionou a mudança de controle da companhia às dificuldades do governo para atuar diretamente sobre o setor elétrico.

"É importante se lembrar que a grande parte da energia brasileira é privada hoje, porque fizeram o favor de vender tudo. Fizeram o favor de privatizar a Eletrobras a troco de banana. Então, o povo está pagando o preço, sabe? Que a gente nem sempre tem todo o controle", afirmou.

Economia

Em relação à economia, Lula declarou que o Brasil conseguiu ampliar suas relações comerciais com outros países, apesar da queda de 9% no comércio com os Estados Unidos. Durante entrevista, o petista destacou o crescimento das trocas comerciais com a China, a Indonésia, a Alemanha e o Vietnã.

Questionado sobre os juros e a política fiscal, Lula defendeu o crescimento econômico como principal caminho para equilibrar as contas públicas. O presidente afirmou que não pretende adotar medidas de ajuste que prejudiquem a população de baixa renda e citou os resultados econômicos de seus mandatos anteriores para sustentar sua posição.

Sobre o reajuste do Bolsa Família, o candidato disse não ter conhecimento sobre período de estagnação no benefício. Segundo ele, ao se dar conta disso, autorizou o aumento do valor.

"É inexplicável que no governo do Lula alguém pense em não reajustar", declarou. O presidente afirmou que decidiu corrigir os valores e compensar os reajustes que deixaram de ser concedidos, para evitar que a situação se repita.

Agenda

A entrevista da Globo faz parte de uma agenda televisiva que ganha importância nos últimos dias da eleição. Além das sabatinas individuais, está previsto um debate entre Lula e Flávio Bolsonaro na Band no domingo (18), às 20h. A Globo também programou seu debate do segundo turno para 23 de outubro, dois dias antes da votação.

A sabatina desta quinta tinha uma dinâmica diferente da de um debate. Lula respondeu às perguntas da entrevistadora sem a presença do adversário no estúdio. Na sexta-feira, será a vez de Flávio Bolsonaro participar do mesmo formato.

Os encontros individuais permitem que cada candidato seja questionado separadamente sobre propostas, decisões políticas, atuação pública e temas da campanha. Já os debates colocam os adversários frente a frente e seguem regras previamente negociadas entre emissoras e representantes das candidaturas.

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