O caso de Ana Clara Gomes Machado, menina de cinco anos morta durante uma ação policial no Rio de Janeiro, voltou a repercutir após o debate presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), realizado neste domingo (18).
Na manhã desta segunda-feira (19), o termo "flavio bolsonaro caso ana clara" apareceu entre os assuntos mais pesquisados do Brasil no Google Trends, com mais de 1 milhão de buscas associadas à tendência nas últimas 24 horas.
Segundo levantamento realizado pelo Congresso em Foco, a expressão ocupava a terceira posição entre as principais tendências de pesquisa no país, com crescimento superior a 1.000%.
O aumento do interesse ocorreu após Lula questionar o adversário sobre sua atuação na defesa de um policial militar acusado de matar a criança.
O episódio também voltou a circular nas redes sociais por meio do documentário O Julgamento que Nunca Aconteceu, da série Revelando, que reúne depoimentos da família e detalhes da investigação.
O que aconteceu com Ana Clara?
Ana Clara tinha cinco anos quando foi atingida por disparos durante uma ação da Polícia Militar em 2 de fevereiro de 2021, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
A menina havia acabado de acordar e brincava na calçada de sua casa quando foi baleada, seu irmão de 2 anos estava ao seu irmão.
Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o disparo fatal partiu do fuzil do cabo Bruno Dias Delaroli, integrante do 12º Batalhão da Polícia Militar. O agente foi acusado de homicídio doloso, quando há intenção de matar ou se assume o risco de provocar a morte.
O policial alegou que estava em uma situação de confronto com criminosos armados. A investigação, porém, contestou essa versão.
A perícia encontrou apenas vestígios de munição calibre 7,62, compatível com o fuzil utilizado pelo militar, sem identificar cápsulas de pistola que sustentassem a versão de troca de tiros.
Delaroli foi preso em flagrante, mas passou a responder ao processo em liberdade em novembro de 2021.
Qual foi a participação de Flávio Bolsonaro?
Em 2024, Flávio Bolsonaro passou a integrar a equipe de defesa do policial, acusado pela morte da criança. Naquele momento, a Justiça já havia determinado que Delaroli fosse submetido ao Tribunal do Júri, responsável pelo julgamento de crimes dolosos contra a vida.
A entrada do parlamentar no processo ocorreu após a defesa sofrer uma derrota no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que havia rejeitado uma tentativa de reverter a decisão de levar o acusado a julgamento popular.
Flávio assinou um novo recurso para contestar a determinação. A equipe jurídica também apresentou outras medidas judiciais, mas a decisão de submeter o policial ao júri foi mantida.
Apesar disso, mais de cinco anos após a morte de Ana Clara, o julgamento ainda não havia ocorrido até outubro de 2026.
A atuação de Flávio ocorreu no exercício da advocacia. A Constituição Federal assegura a qualquer pessoa acusada de um crime o direito à ampla defesa, incluindo a possibilidade de contestar decisões e apresentar recursos à Justiça.
Lula questionou Flávio durante debate
O caso foi mencionado por Lula durante o primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado pela Band neste domingo (18). O presidente cobrou explicações do adversário sobre a defesa do policial, em meio a uma troca de acusações sobre segurança pública.
A repercussão se refletiu nas pesquisas do Google. O Trends registrou um pico de interesse durante a noite de domingo, seguido de uma redução gradual nas buscas ao longo da manhã desta segunda-feira.
Os números da plataforma representam estimativas de pesquisas associadas à tendência e não necessariamente a quantidade de pessoas diferentes que buscaram informações sobre o assunto.