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Mãe de Oruam e vereador do Rio de Janeiro são presos em operação da PF

Operação contra o Comando Vermelho investiga monopólio de serviços de internet e determina bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores.

19/10/2026
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A Polícia Federal prendeu nesta segunda-feira (19) Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mãe do rapper Oruam, e o vereador do Rio de Janeiro Fábio Silva Costa (Podemos), durante uma operação contra o controle de serviços de internet pelo Comando Vermelho em comunidades da capital fluminense.

Os dois estão entre os 19 presos na Operação Backbone, que investiga a exploração econômica de territórios dominados pela facção criminosa e a lavagem de dinheiro obtido com a atividade.

Também foi preso Lucas Santos Nepomuceno, irmão de Oruam. Os três são familiares de Marcinho VP, um dos líderes do Comando Vermelho. Preso há quase três décadas, o traficante também foi alvo de um mandado na operação, autorizado pelo STF.

PF apura cobrança de taxas de provedores e sabotagem a concorrentes em territórios dominados pela facção. Agência Brasil | Divulgação

Segundo a PF, Marcinho VP continuava exercendo influência sobre as atividades empresariais exploradas pela organização criminosa, com a participação de familiares e integrantes da facção. Os recursos arrecadados seriam distribuídos por meio de operadores financeiros e empresas utilizadas para ocultar a origem ilícita do dinheiro.

O vereador Fábio Silva foi localizado e preso em Londrina, no Paraná, onde estava para participar de um casamento. A Polícia Federal aponta o parlamentar como proprietário e beneficiário de provedores de internet envolvidos no esquema investigado.

Eleito pelo Podemos em 2024, Fábio Silva exerce seu primeiro mandato na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Empresário, o vereador também se apresenta como gestor comunitário da Zona Norte e destaca em sua biografia oficial a atuação no projeto social Onda Carioca, desenvolvido no Complexo do Chapadão.

Monopólio da internet

A Operação Backbone investiga o controle do fornecimento de internet nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na Zona Norte do Rio. De acordo com a PF, integrantes do Comando Vermelho utilizavam armas, ameaças e sabotagens contra empresas concorrentes para obrigar moradores e comerciantes a contratar provedores vinculados à organização.

Entre as práticas identificadas estão a destruição de cabos de transmissão, incêndios em equipamentos de distribuição e impedimentos à realização de reparos. Empresas autorizadas a funcionar nas áreas dominadas pela facção também eram obrigadas a pagar mensalidades para continuar oferecendo seus serviços.

A exploração do mercado de internet se tornou uma das principais fontes de financiamento do grupo criminoso. Registros contábeis analisados pela Polícia Federal mostram que, em um único mês, as cobranças relacionadas ao serviço corresponderam a mais de 40% da arrecadação do Comando Vermelho no Complexo da Penha.

O dinheiro obtido com as atividades ilegais circulava por empresas de publicidade, produtoras de eventos e intermediários financeiros. A investigação também identificou suspeitas de ocultação de patrimônio por meio da aquisição de imóveis de alto padrão com dinheiro em espécie e da utilização de criptoativos.

Mandados e bloqueio de bens

A operação prevê o cumprimento de 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, expedidos pelo STF. As diligências alcançam a capital fluminense e os municípios de Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé, além de ações em estabelecimentos prisionais.

A Justiça também autorizou o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores vinculados a 40 pessoas físicas e 42 empresas. Entre os estabelecimentos atingidos estão provedores de internet, produtoras de eventos, empresas de contabilidade e pessoas jurídicas suspeitas de funcionar como fachada para as atividades criminosas.

A Polícia Federal solicitará à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a cassação das autorizações de funcionamento e a interrupção dos serviços prestados pelas empresas investigadas. A agência também deverá adotar providências para preservar o acesso à internet nas comunidades afetadas.

Os investigados poderão responder por crimes como extorsão majorada, lavagem de dinheiro, domínio social estruturado, interrupção de serviços de telecomunicações e exploração clandestina desses serviços. A operação integra a força-tarefa Missão Redentor II, voltada ao combate ao crime organizado no Rio de Janeiro.

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