O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso Nacional, iniciou nesta terça-feira (20) a coleta de assinaturas para representar contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Conselho de Ética do Senado. O parlamentar cita o inquérito da Polícia Federal contra o presidenciável, investigado pelo recebimento irregular de R$ 134 milhões com o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia de seu pai, Jair Bolsonaro.
Randolfe pretende pedir a cassação do mandato de Flávio por suposto uso do cargo para obter recursos destinados a um projeto de interesse familiar e político. O líder do governo também quer apurar possíveis vantagens pessoais recebidas pelo senador por intermédio de pessoas ligadas a Vorcaro.
Flávio é suspeito de ter recebido benefícios econômicos, como viagens em jatinhos executivos e hospedagens gratuitas em imóveis associados ao círculo do banqueiro. O advogado Willer Tomaz, amigo do senador, teria atuado como intermediário nesses episódios. Para Randolfe e demais autores da representação, o recebimento dessas vantagens pode configurar quebra de decoro parlamentar.
Mensagens obtidas pela Polícia Federal e vazadas no primeiro semestre pelo portal Intercept Brasil mostram que Flávio e Vorcaro mantiveram contato ao longo de 2025, inclusive para tratar de atrasos nos pagamentos destinados à produção cinematográfica. Randolfe acusa o senador de apresentar versões contraditórias sobre sua relação com o banqueiro e seu conhecimento da situação financeira do Banco Master.
O líder do governo também cita o inquérito mais recente aberto pela PF, que identificou Flávio como "usuário master" de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa controlada formalmente por Willer Tomaz. O advogado é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao esquema de fraudes no INSS e a movimentações financeiras no setor de apostas.
Financiamento de Dark Horse
A Polícia Federal investiga desde julho a participação de Flávio Bolsonaro nas negociações para financiar Dark Horse. Os investigadores identificaram transferências de pelo menos US$ 12,33 milhões, aproximadamente R$ 62 milhões, da empresa brasileira Entre Investimentos para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado nos Estados Unidos.
O advogado Paulo Calixto, ligado a Eduardo Bolsonaro, administra o fundo, criado originalmente para investimentos imobiliários no Texas. A PF busca identificar os beneficiários finais dos repasses e apura a possibilidade de que parte do dinheiro tenha sido utilizada para custear despesas de Eduardo nos Estados Unidos.
Flávio foi questionado sobre os repasses em diversas ocasiões, e negou irregularidades. O senador sustenta que as conversas com Vorcaro trataram de patrocínio de natureza privada para a produção do filme, com caráter estritamente cultural. Na última sexta-feira (16), a PF pediu ao STF mais 90 dias para concluir a investigação.