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Ramagem é considerado imigrante ilegal pelo governo dos Estados Unidos

Departamento de Segurança Interna afirma que ex-deputado ultrapassou prazo de permanência no país e que pedido de asilo político não impede deportação.

22/10/2026
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O governo dos Estados Unidos classificou o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) como imigrante ilegal e confirmou que ele responde a um processo de deportação.

Foragido da Justiça brasileira, o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também pode ser preso novamente, mesmo após apresentar um pedido de asilo político.

A informação foi divulgada na quarta-feira (21), em investigação da Agência Pública, realizada em parceria com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ).

Condenado pelo STF, Ramagem permanece nos Estados Unidos após fugir do Brasil.Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Segundo o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), Ramagem entrou legalmente no país em 11 de setembro de 2025, com autorização para permanecer por seis meses. O prazo terminou em março de 2026, mas ele continuou em território americano sem regularizar sua situação migratória.

O órgão afirmou que a solicitação de asilo político não garante automaticamente a permanência legal no país.

"Um caso de pedido pendente NÃO confere nenhum tipo de status legal nos Estados Unidos", declarou o DHS, destacando que estrangeiros em situação irregular estão sujeitos à detenção ou deportação.

Prisão e libertação provocaram controvérsia

Ramagem foi preso em Orlando, na Flórida, em 13 de abril, por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). Dois dias depois, foi libertado enquanto aguardava o andamento do processo migratório.

Segundo o comentarista bolsonarista Paulo Figueiredo, o ex-deputado não precisou pagar fiança. Figueiredo já havia afirmado que sua empresa de consultoria migratória, a Immigrex, auxiliava Ramagem.

A libertação foi comemorada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro agradeceu publicamente a Donald Trump e ao secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Publicação de Eduardo Bolsonaro após a libertação de Ramagem, em abril.Reprodução / X

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que Rubio havia contribuído para acelerar a soltura.

O caso, porém, expôs posições diferentes dentro do próprio governo americano.

Enquanto o Departamento de Segurança Interna considera Ramagem um imigrante ilegal, o Departamento de Estado acusou a Polícia Federal brasileira de manipular o sistema migratório dos Estados Unidos para obter sua prisão.

Após a detenção, o governo americano retirou o credenciamento do policial federal Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava em Miami e havia colaborado na localização de Ramagem.

Em resposta, o governo brasileiro suspendeu a autorização de um agente de imigração americano que trabalhava em Brasília. O funcionário deixou o país em 22 de abril.

Condenado pelo STF, Ramagem fugiu do Brasil

Ramagem foi condenado pelo STF a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Ele deixou o Brasil em setembro de 2025, apesar de uma determinação judicial que o impedia de sair do país.

Em novembro de 2025, após a ordem de prisão expedida pelo STF, Ramagem afirmou em vídeo que estava nos Estados Unidos com o conhecimento das autoridades americanas.

O ex-deputado afirmou que integrantes do governo americano teriam comemorado sua presença no país, dizendo que ele estava em segurança nos Estados Unidos.

O governo brasileiro formalizou o pedido de extradição em 30 de dezembro de 2025, antes da prisão de Ramagem em Orlando.

A solicitação de extradição tramita separadamente do processo de deportação. Até o momento, não há decisão definitiva que determine a retirada do ex-deputado dos Estados Unidos.

O Departamento de Segurança Interna informou que Ramagem terá direito ao devido processo legal antes da conclusão do procedimento migratório.

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