A campanha de Lula (PT) afirmou nesta quinta-feira (22) que conseguiu incluir no acordo para abertura de sigilos todas as informações que considerava necessárias após um impasse durante as negociações.
Segundo Camilo Santana (PT-CE), a equipe petista não aceitou deixar de fora dados relacionados a uma empresa mencionada nas tratativas e, após resistência inicial, a condição foi aceita e os documentos foram assinados.
Camilo afirmou que a principal divergência envolveu uma empresa que, segundo ele, teria ligação com William Tomás. A campanha de Lula sustentou que não aceitaria a exclusão dessas informações do compromisso de transparência negociado na reta final da eleição presidencial.
"Eles discordaram em relação a essa empresa, que é uma empresa ligada ao William Tomás, que é uma empresa que está colocada sob suspeita, não por nós, pelas autoridades que fiscalizam a movimentação financeira no Brasil."
O senador também alegou que reportagens publicadas pela imprensa apontariam relações entre a empresa mencionada e Flávio Bolsonaro. "Essa empresa, ontem inclusive a imprensa brasileira divulgou, tem relações estreitas com o Flávio Bolsonaro. Isso está evidente na imprensa", declarou.
Guilherme Boulos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da presidência, reforçou a versão de que Lula aceitou as condições apresentadas durante a negociação e afirmou que o documento já chegou assinado pelo presidente.
"Hoje nós trouxemos, já assinado pelo presidente Lula, um documento em que nós aceitamos todas as condições, porque quem não deve não teme, e o presidente Lula não teme", disse Boulos. Segundo ele, o desafio inicial para a abertura do sigilo bancário havia sido apresentado pelo próprio Lula.
Boulos disse ainda que Flávio demorou quatro dias para aceitar o desafio e que, quando respondeu, apresentou condições. Guilherme Boulos disse que Lula já havia assinado a autorização aceitando as condições apresentadas e que a expectativa agora é que o Judiciário permita o acesso às informações antes da votação de domingo (25).
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, também defendeu a abertura das informações e afirmou que a campanha de Lula não aceitou que dados relacionados à empresa mencionada durante as negociações ficassem fora do acordo. Segundo ele, a posição da equipe petista é de que as informações precisam ser conhecidas pelos eleitores.
"Nós queremos que todas essas informações se tornem públicas para o povo brasileiro. Não é possível um candidato a Presidente da República concorrer ao cargo mais importante do país, ter informações que sejam sigilosas."
Edinho também sustentou que Lula não apresentou restrições à divulgação das próprias informações. "O presidente Lula não tem nenhuma restrição, não colocou nenhuma restrição", declarou.
Segundo o dirigente petista, houve um impasse durante as negociações justamente para definir o alcance da abertura dos dados. "Infelizmente, nós tivemos um embate agora para que a empresa ou a relação com o William Tomás não ficasse de fora desse gesto de transparência", afirmou.