São Paulo concentrou os maiores ganhos absolutos de Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL) entre os dois turnos da eleição presidencial de 2022. O petista acrescentou 1,03 milhão de votos, enquanto o então presidente conquistou 1,98 milhão. Com isso, Bolsonaro ampliou em 947 mil votos sua vantagem sobre Lula no Estado.
Candidato à reeleição, o então presidente ampliou sua votação mais que o petista nas 27 unidades da Federação, mas só conseguiu inverter a liderança no Amapá. No país, ganhou 7,13 milhões de votos entre os turnos, contra 3,09 milhões do petista, eleito com 50,90% dos votos válidos, ante 49,10% do adversário, naquela que foi a disputa presidencial mais apertada desde a redemocratização.
Onde cada candidato ganhou mais votos
Depois de São Paulo, os maiores aumentos absolutos de Lula ocorreram em Minas Gerais (388,4 mil votos), Rio de Janeiro (309,1 mil), Ceará (229,5 mil) e Bahia (224,7 mil).
Bolsonaro teve seus maiores ganhos adicionais, depois de São Paulo, em Minas Gerais (902 mil), Rio de Janeiro (572,6 mil), Paraná (530,7 mil) e Rio Grande do Sul (488,2 mil).
Em Minas Gerais, onde Lula venceu os dois turnos, sua vantagem caiu de aproximadamente 563 mil para menos de 50 mil votos. Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina também registraram mudanças expressivas na diferença entre os candidatos, todas favoráveis a Bolsonaro.
Crescimento proporcional
Em termos percentuais, o maior crescimento de Lula ocorreu no Distrito Federal (12,28%), seguido por São Paulo (9,82%), Rio de Janeiro (8,03%), Minas Gerais (6,69%) e Ceará (6,42%).
Para Bolsonaro, os maiores aumentos proporcionais foram registrados no Ceará (18,63%), Minas Gerais (17,22%), São Paulo (16,15%), Bahia (15,11%) e Rio Grande do Sul (15,04%). Apesar do avanço, Lula manteve a liderança no Ceará.
Na comparação da diferença entre os candidatos em pontos percentuais, os maiores deslocamentos ocorreram no Acre (7,36 pontos), Rio Grande do Sul (6,09) e Rondônia (5,94), todos favoráveis a Bolsonaro. Esse indicador permite comparar Estados de diferentes tamanhos, independentemente do número de eleitores.
Lula perdeu votos entre os turnos em quatro unidades da Federação: Amazonas, Amapá, Acre e Roraima.
A única virada ocorreu no Amapá
No Amapá, Lula terminou o primeiro turno com 45,67% dos votos válidos, contra 43,41% de Bolsonaro. No segundo, o resultado se inverteu: Bolsonaro alcançou 51,36%, e Lula ficou com 48,64%.
O então presidente ganhou 12.926 votos entre os turnos, enquanto o petista perdeu 7.464. A mudança de 20.390 votos na diferença entre eles foi suficiente para produzir a única troca de liderança estadual.
Como foi feita a comparação
O levantamento compara os resultados presidenciais nas 27 unidades da Federação, excluída a votação no exterior. O crescimento absoluto corresponde à diferença de votos entre os turnos; o proporcional, à variação sobre a votação inicial. A mudança na vantagem mede quanto a distância entre os candidatos aumentou ou diminuiu.
Os resultados não permitem identificar transferências individuais de votos, pois também refletem alterações no comparecimento e nos votos brancos e nulos, além da ausência de outros candidatos no segundo turno.