Cinco Estados concentram mais da metade dos eleitores brasileiros e terão peso expressivo na definição do tamanho da vantagem nacional entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno deste domingo (25). São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Paraná reúnem, juntos, cerca de 83,3 milhões de eleitores, o equivalente a 52,5% do total.
Os cinco maiores colégios eleitorais concentraram mais da metade dos votos recebidos por Flávio Bolsonaro no primeiro turno: 30,05 milhões, equivalentes a 53,6% de sua votação nacional. Lula obteve 26,11 milhões de votos nesses mesmos Estados, o correspondente a 48,5% de seu total no país. A diferença entre os candidatos nesses cinco Estados foi de 3,95 milhões de votos, superior à vantagem nacional de Flávio, de 2,22 milhões.
No primeiro turno, Flávio venceu em quatro desses Estados. Lula liderou apenas na Bahia, onde Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito governador. Nos demais, foram eleitos aliados de Flávio: Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo; Cleitinho Azevedo (Republicanos), em Minas Gerais; Douglas Ruas (PL), no Rio de Janeiro; e Sergio Moro (PL), no Paraná.
A dimensão desses colégios eleitorais ajuda a explicar sua importância. Flávio terminou o primeiro turno com vantagem nacional de aproximadamente 2,22 milhões de votos. Em 2022, a diferença entre Lula e Jair Bolsonaro mudou em centenas de milhares de votos em alguns Estados entre os turnos, mesmo onde não houve troca de liderança.
São Paulo, o maior peso em votos
Com 34,1 milhões de eleitores, São Paulo concentra mais de um quinto do eleitorado brasileiro. No primeiro turno, Flávio recebeu 51,93% dos votos válidos, contra 38,20% de Lula, vantagem de 13,73 pontos percentuais.
Há quatro anos, o Estado registrou os maiores ganhos absolutos dos dois candidatos entre os turnos. Jair Bolsonaro acrescentou 1,98 milhão de votos e Lula, 1,03 milhão. Com isso, o então presidente ampliou sua vantagem em aproximadamente 947 mil votos apenas em São Paulo.
Reeleito com 62,65% dos votos válidos, o governador Tarcísio de Freitas é um dos principais aliados da família Bolsonaro.
Minas Gerais: quem ganha no Estado costuma vencer
Segundo maior colégio eleitoral, Minas Gerais reúne 16,4 milhões de eleitores e mantém uma tradição: desde 1989, o candidato que vence no Estado na votação decisiva também conquista a Presidência da República. A sequência atravessa nove eleições.
No primeiro turno deste ano, Flávio recebeu 48,24% dos votos válidos, contra 43,33% de Lula, diferença de 4,91 pontos percentuais. Para o governo estadual, Cleitinho Azevedo (Republicanos), aliado do senador, venceu com 55,4%.
Em 2022, Lula ganhou os dois turnos em Minas, mas sua vantagem sobre Jair Bolsonaro caiu de aproximadamente 563 mil para menos de 50 mil votos. Bolsonaro acrescentou 902 mil votos à própria votação, contra 388 mil do petista.
A tradição mineira não assegura que o resultado estadual e o nacional voltarão a coincidir. O histórico, porém, chama atenção para um Estado de grande eleitorado e com diferenças relativamente pequenas entre os presidenciáveis.
Rio e Paraná: vantagens expressivas de Flávio
Terceiro maior colégio eleitoral, o Rio de Janeiro reúne 12,9 milhões de eleitores. Flávio recebeu 53,01% dos votos válidos no primeiro turno, contra 39,41% de Lula, vantagem de 13,60 pontos.
No governo estadual, Douglas Ruas (PL), aliado do senador, foi proclamado eleito após a Justiça Eleitoral determinar a anulação dos votos de Anthony Garotinho e a retotalização do resultado. Ruas passou a 50,88% dos válidos.
Em 2022, Jair Bolsonaro ampliou sua vantagem no Rio em aproximadamente 264 mil votos entre os turnos.
No Paraná, que reúne 8,6 milhões de eleitores, Flávio obteve 59,91% dos votos válidos, contra 31,20% de Lula. Sergio Moro (PL), apoiador do senador, foi eleito governador.
Há quatro anos, Bolsonaro também ampliou sua vantagem no Estado, em cerca de 388 mil votos entre o primeiro e o segundo turno.
Bahia: o contraponto entre os grandes Estados
A Bahia é o único dos cinco maiores colégios eleitorais em que Lula venceu o primeiro turno e um candidato do PT conquistou o governo estadual.
O presidente recebeu 66,17% dos votos válidos, contra 28,53% de Flávio, vantagem de 37,64 pontos percentuais. Jerônimo Rodrigues (PT), aliado de Lula, foi reeleito governador com 55,8%.
Em 2022, Jair Bolsonaro ganhou aproximadamente 309 mil votos entre os turnos na Bahia, contra 225 mil de Lula, reduzindo a diferença entre eles em cerca de 85 mil votos. Apesar disso, o petista manteve ampla liderança estadual.
A Bahia integra o Nordeste, única região em que Lula venceu em todos os Estados no primeiro turno de 2026.
Além dos maiores colégios
Estados com eleitorado menor também podem alterar a diferença nacional, especialmente onde os candidatos terminaram o primeiro turno próximos.
No Amapá, Lula recebeu 45,71% dos votos válidos e Flávio, 45,67%, distância de apenas 225 votos. Em 2022, o Estado foi o único em que houve mudança de liderança entre os turnos: Lula venceu o primeiro, mas Jair Bolsonaro terminou o segundo à frente.
No Pará, com mais de 6 milhões de eleitores, Lula teve 49,91% dos votos válidos no primeiro turno deste ano, contra 44,50% de Flávio. Amazonas e Tocantins também registraram diferenças relativamente pequenas.
O peso de cada Estado na votação nacional dependerá da diferença entre os candidatos e do número de votos válidos. Mudanças no comparecimento, na escolha dos eleitores que votaram em outros candidatos e nos votos brancos e nulos podem alterar esse saldo.
Em 2022, Jair Bolsonaro ganhou 7,13 milhões de votos entre os turnos, contra 3,09 milhões de Lula. Mesmo assim, o petista venceu por aproximadamente 2,14 milhões de votos. A experiência mostra que o crescimento de votação em determinados Estados não significa, necessariamente, inversão do resultado nacional.