O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, durante o debate presidencial da TV Globo nesta sexta-feira (23), que terá de realizar no Brasil um trabalho semelhante ao do presidente argentino Javier Milei para recuperar a economia. O candidato acusou o presidente Lula (PT) de deixar o país "quebrado" e comprometer as futuras gerações com o aumento dos gastos públicos.
"O Milei teve que consertar as coisas ruins que vocês fizeram lá. E eu vou ter que ter o mesmo trabalho aqui, porque você tá deixando o país quebrado."
A declaração ocorreu após Lula questionar Flávio sobre sua proposta de cortes de gastos públicos, chamada de "tesouraço". Ao abordar a região Sul, o petista afirmou que a região concentra, proporcionalmente, o maior número de aposentados do Brasil, embora São Paulo e Minas Gerais tenham mais aposentados em números absolutos.
Lula também retomou uma crítica feita no debate anterior e comparou a proposta econômica do adversário às medidas adotadas pelo presidente argentino Javier Milei.
"Eu até, no último debate, perguntei se você tinha tomado emprestado a motosserra do Milei, porque na Argentina a pobreza chegou a 40%, o povo está comendo carne de burro e você disse que quer um modelo igual."
O presidente voltou a criticar a possibilidade de cortes de gastos em um eventual governo de Flávio e questionou os efeitos das medidas sobre a população.
Flávio respondeu que não pretende privatizar o Banco do Brasil nem a Caixa Econômica Federal e prometeu reajustes salariais acima da inflação. Em seguida, defendeu a política econômica de Milei e responsabilizou governos de esquerda pela crise enfrentada pela Argentina.
O senador citou uma inflação de 211% no início do governo argentino e afirmou que as taxas de juros chegaram a 100%, números apresentados por ele para justificar a necessidade de reformas econômicas.
Críticas ao preço dos alimentos
Flávio também acusou Lula de desconhecer as dificuldades enfrentadas pelos brasileiros diante do aumento do custo de vida. Segundo o candidato, o presidente estaria distante da realidade da população por viver em uma residência oficial.
"Ele nem lembra a última vez que ele foi no mercado, porque ele mora num palácio de luxo agora", afirmou.
O senador ainda acusou Lula de gastar mais de R$ 400 bilhões para tentar a reeleição, sem apresentar, no trecho, o detalhamento desse cálculo. A declaração foi acompanhada de críticas à situação fiscal do país.
"Você não tem vergonha de deixar o país quebrado desse jeito não? Olha o legado que você tá deixando pras futuras gerações", declarou.