O presidente Lula (PT) cobrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre seus planos para o Sistema Único de Saúde (SUS) e relembrou as mortes provocadas pela pandemia de covid-19 durante o debate presidencial da TV Globo, nesta sexta-feira (23).
O petista criticou a condução da crise sanitária pelo governo de Jair Bolsonaro, enquanto o adversário negou que pretenda reduzir os investimentos na saúde pública.
Lula iniciou a discussão questionando se os cortes de gastos defendidos por Flávio atingiriam o SUS. O presidente também mencionou declarações atribuídas a integrantes da equipe do adversário sobre a possibilidade de não ampliar os recursos destinados ao sistema.
Em resposta, Flávio afirmou que o problema da saúde pública não é apenas a falta de recursos, mas a maneira como o dinheiro é administrado. O senador criticou a demora nos atendimentos especializados, a falta de medicamentos e a gestão dos serviços.
O candidato do PL também negou que seu plano de redução de despesas, chamado de "tesouraço", resulte em cortes no SUS.
Lula relembra pandemia
Na réplica, Lula destacou a atuação do SUS durante a pandemia e responsabilizou o governo de Jair Bolsonaro pela condução da crise sanitária, que deixou mais de 700 mil mortos no Brasil.
O presidente afirmou que parte das mortes poderia ter sido evitada caso o governo anterior tivesse seguido as recomendações científicas. Ele também criticou declarações de Bolsonaro sobre vacinas, o incentivo ao uso da cloroquina e a imitação de pessoas com dificuldade para respirar.
"Poderia ter salvado pelo menos metade das pessoas que morreram, mas não, ele preferiu debochar."
O petista ressaltou ainda o trabalho dos profissionais de saúde e afirmou que o SUS foi fundamental para impedir que o número de vítimas da covid-19 fosse ainda maior.
Flávio cita atendimento ao pai pelo SUS
Na tréplica, Flávio Bolsonaro defendeu a importância do sistema público de saúde e relembrou o atendimento recebido por Jair Bolsonaro após a facada sofrida durante a campanha presidencial de 2018, em Juiz de Fora (MG).
"Foi o SUS que salvou o presidente Bolsonaro. E eu vou manter sim, vou investir no SUS sim."
O senador também prometeu ampliar a estrutura do Instituto Nacional de Câncer (Inca) e refinanciar as dívidas das Santas Casas, instituições filantrópicas que prestam atendimento à população por meio do SUS.
O tema da saúde já havia provocado divergências entre os candidatos no debate da Band, realizado no domingo (18). Na ocasião, Flávio defendeu levar ao SUS um padrão de atendimento semelhante ao do Hospital Israelita Albert Einstein, enquanto Lula questionou se a proposta poderia representar uma tentativa de privatização do sistema.
O encontro desta sexta-feira foi o último debate entre os dois candidatos antes do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25).