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Abstenção costuma ser maior no 2º turno, mas cenário tem mudado

Em seis das sete eleições presidenciais com segundo turno desde 1989, o percentual de ausentes aumentou na votação decisiva; diferença vem diminuindo e chegou a se inverter em 2022.

25/10/2026
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O segundo turno das eleições presidenciais brasileiras costuma registrar uma proporção maior de eleitores ausentes do que o primeiro. Desde a redemocratização, o país realizou sete disputas presidenciais decididas em dois turnos antes de 2026. Em seis delas, a abstenção aumentou na votação decisiva. A única exceção ocorreu em 2022, quando houve uma pequena redução no percentual de brasileiros que deixaram de comparecer às urnas.

O histórico serve de referência para a eleição deste domingo (25), quando os brasileiros voltam às urnas para escolher entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). No primeiro turno de 2026, realizado em 4 de outubro, a abstenção chegou a 21,08% do eleitorado, o equivalente a aproximadamente 33,5 milhões de pessoas.

Abstenção ao longo dos anos

A primeira eleição presidencial direta após a ditadura militar, em 1989, já apresentou crescimento da abstenção entre os dois turnos. Na disputa entre Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva, o percentual de eleitores ausentes passou de 11,93% para 14,40%.

O comportamento se repetiu em 2002, quando a abstenção subiu de 17,74% para 20,47%, e em 2006, quando passou de 16,75% para 18,99%.

O maior aumento proporcional entre os dois turnos ocorreu em 2010, na eleição disputada por Dilma Rousseff e José Serra. Naquele ano, a abstenção avançou de 18,12% para 21,50%, uma diferença de 3,38 pontos percentuais.

Em 2014, o índice cresceu de 19,39% para 21,10%. Já em 2018, na disputa entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, a diferença foi menor: a abstenção passou de 20,33% no primeiro turno para 21,30% no segundo.

A sequência foi interrompida em 2022. Na disputa entre Lula e Jair Bolsonaro, o percentual de eleitores ausentes caiu de 20,95% para 20,59%. A redução de 0,36 ponto percentual representou aproximadamente 570 mil eleitores a menos sem comparecer às urnas.

Veja a evolução da abstenção nas eleições presidenciais brasileiras:

Eleição

1º turno

2º turno

Variação

1989

11,93%

14,40%

+2,47 p.p.

2002

17,74%

20,47%

+2,73 p.p.

2006

16,75%

18,99%

+2,24 p.p.

2010

18,12%

21,50%

+3,38 p.p.

2014

19,39%

21,10%

+1,71 p.p.

2018

20,33%

21,30%

+0,97 p.p.

2022

20,95%

20,59%

-0,36 p.p.

2026

21,08%

Em apuração

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 1994 e 1998, a eleição presidencial foi decidida no primeiro turno. Variação em pontos percentuais.

Quantos eleitores são?

Considerando um eleitorado de aproximadamente 159 milhões de brasileiros em 2026, cada ponto percentual de abstenção representa cerca de 1,59 milhão de eleitores que deixam de comparecer às urnas.

Variação da abstenção

Eleitores

0,1 ponto percentual

159 mil

0,5 ponto percentual

795 mil

1 ponto percentual

1,59 milhão

2 pontos percentuais

3,18 milhões

3 pontos percentuais

4,77 milhões

Há uma distinção importante: 1 ponto percentual de abstenção equivale a 1,59 milhão de eleitores ausentes, não necessariamente a 1,59 milhão de votos válidos perdidos. Parte desses eleitores poderia votar em branco ou anular o voto.

O TSE informa um eleitorado de 158.765.543 pessoas aptas a votar em 2026. Com esse total, 1 ponto percentual corresponde, mais precisamente, a 1.587.655 eleitores.

Abstenções vêm diminuindo ao longo dos anos.Luiz Roberto/TSE

Por que o eleitor falta mais?

O aumento da abstenção no segundo turno pode estar associado a diferentes fatores. Um deles é a redução do número de cargos em disputa. No primeiro turno das eleições gerais, os brasileiros escolhem presidente, governador, senadores e deputados federais, estaduais ou distritais. Na etapa seguinte, apenas os cargos de presidente e, quando necessário, governador voltam à votação.

Outro fator é a dificuldade de deslocamento. Eleitores que estão fora de seu domicílio eleitoral, enfrentam problemas de transporte ou não conseguem conciliar a votação com outros compromissos podem deixar de comparecer. Essas dificuldades existem nos dois turnos, mas podem ter efeitos diferentes em cada etapa.

Os percentuais históricos, isoladamente, não permitem identificar as razões pelas quais cada eleitor deixou de votar. Também não significam que todos os ausentes no primeiro turno necessariamente faltaram no segundo. Há eleitores que deixam de comparecer a uma etapa e participam da outra.

A experiência de 2022 demonstra que o aumento da abstenção não é inevitável. Naquela eleição, o segundo turno conseguiu mobilizar uma proporção ligeiramente maior do eleitorado, contrariando o padrão observado nas disputas anteriores.

O desafio de 2026

Com mais de 150 milhões de brasileiros aptos a votar, pequenas oscilações na taxa de abstenção representam centenas de milhares de eleitores.

No primeiro turno deste ano, aproximadamente um em cada cinco eleitores deixou de comparecer às urnas. O índice de 21,08% estabelece a referência para avaliar a participação na votação decisiva.

Se a abstenção crescer, 2026 seguirá o comportamento observado na maioria das eleições presidenciais desde 1989. Se diminuir, repetirá a exceção registrada em 2022.

O resultado também permitirá avaliar se o maior percentual de ausências observado no primeiro turno se mantém na etapa final. Mais do que identificar o vencedor da disputa presidencial, a apuração mostrará quantos brasileiros efetivamente participaram da decisão.

Acompanhe a apuração em tempo real

O Congresso em Foco disponibiliza uma plataforma especial para acompanhar a apuração do segundo turno das eleições de 2026. A ferramenta reúne dados atualizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e permite consultar os votos recebidos pelos candidatos à Presidência da República e aos governos estaduais.

Acesse o painel do Congresso em Foco e acompanhe a apuração do segundo turno em tempo real.

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