O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou neste sábado (31) que o governo americano tenha participado diretamente da fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para Miami, após sua derrota na eleição presidencial e uma ordem judicial que o proibia de deixar o Brasil. Rubio confirmou, porém, que o presidente Donald Trump autorizou a entrada do parlamentar no país.
"Não facilitamos nada", afirmou Rubio ao ser questionado por um jornalista brasileiro durante coletiva. O secretário disse que o governo não participou dos preparativos da viagem. "Não estávamos envolvidos em nenhum dos arranjos para ele sair do país. Pelo menos o governo dos EUA não estava envolvido diretamente em qualquer um dos movimentos que foram feitos", declarou.
Rubio explicou que Trump autorizou a entrada de Flávio por meio de um mecanismo migratório conhecido como parole, que permite o ingresso temporário no país, sem equivaler à concessão de asilo ou residência permanente.
Assessor de Trump é citado na fuga
A negativa contrasta com reportagens dos jornais The Wall Street Journal e The New York Times. Segundo as duas publicações, Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, ajudou a providenciar o jato particular que levou Flávio da Argentina aos Estados Unidos.
O Wall Street Journal também apontou a participação de Eduardo Bolsonaro e Santiago Caputo, assessor do presidente argentino Javier Milei, na articulação. Miller, integrante da administração Trump, não comentou as informações ao New York Times. Ainda não está esclarecido se atuou por iniciativa própria ou em nome do governo americano.
Deputados americanos cobram explicações
Na sexta-feira (30), 25 parlamentares americanos enviaram uma carta a Rubio cobrando esclarecimentos sobre a possível participação de autoridades dos EUA na viagem.
O documento apresenta 15 perguntas sobre eventual apoio diplomático, concessão de vistos e atuação de agentes americanos no Brasil, na Argentina e no Equador. Os congressistas pedem respostas e uma reunião com representantes do Departamento de Estado até 13 de novembro.
Saída ocorreu após proibição do STF
Flávio cruzou a fronteira terrestre com a Argentina na terça-feira (27) e embarcou em um avião particular em Puerto Iguazú. Após escala no Equador, chegou a Miami na manhã de quarta-feira (28), acompanhado da família.
A viagem ocorreu depois que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, proibiu o senador de deixar o país e determinou a entrega de seus passaportes. Como os documentos brasileiros não foram apresentados no prazo, a Polícia Federal (PF) providenciou seu cancelamento.
A PF informou não ter encontrado registro de saída de Flávio pelos postos brasileiros de controle migratório e investiga as circunstâncias da viagem. O senador é alvo de investigações sobre suspeitas de irregularidades financeiras e nega ter cometido crimes.
Em transmissão ao vivo na sexta-feira (30), Flávio alegou perseguição política e explicou por que decidiu deixar o Brasil, mas não detalhou quem organizou ou financiou a viagem.
Contato com o governo brasileiro
Rubio também conversou na sexta-feira, em Atlanta, com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Os dois acertaram uma reunião bilateral antes da cúpula do G20, prevista para dezembro, na Flórida.
Segundo informações divulgadas pelo Itamaraty, a situação de Flávio não foi tratada especificamente na conversa. O governo americano confirmou a autorização para sua entrada nos EUA, mas não esclareceu a natureza da participação atribuída ao assessor da Casa Branca na organização da viagem.