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[fotografo]Roberto Jayme/TSE[/fotografo]
*Hannah Maruci e **Thaisa Torres
No dia 15 de novembro, 5.570 cidades de todo país realizarão eleições simultaneamente. Grupos que atuam na pauta da inclusão de mais mulheres na política, indo na contramão do sistema político dominante agora encontram mais um desafio: selecionar, capacitar e treinar candidatas entre milhares de mulheres que concorrem a um cargo eletivo nestas eleições.
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É o caso da iniciativa A Tenda, grupo formado por mulheres que organizam aulões para candidatas e consultoria individual durante todo o processo eleitoral. E da Iniciativa Brasilianas, que lançou um acompanhamento de candidaturas no âmbito do projeto Mulheres na Política.
Junto com a alegria de ver Brasil afora mulheres dispostas a mudar o cenário atual, onde elas são minorias nas câmaras e prefeituras, há a responsabilidade de selecionar um número limitado de mulheres, dez por projeto. Para as organizadoras, a seleção é um momento de choro, emoção, e tristeza por não poder fazer mais. E ensina muito dos diferentes “Brasis” que existem em nosso país.
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Chama a atenção o número de servidoras públicas que decidem “entrar para a política”. É o caso de Thais Podestá, de Muzambinho, Minas Gerais. “Eu entrei na prefeitura em 2017 para dar aulas de teatro. Com o tempo fui percebendo a falta de representatividade feminina na política municipal, a falta de ação dos vereadores que já estão no cargo há muito tempo e o pensamento arcaico da população, resultando em um preconceito gigante. Até agora minha campanha foi baseada na questão da representatividade feminina, mas quero expandir.” Para se eleger, Thais precisa de cerca de 350 votos.
Outras mulheres candidatam-se motivadas por não aceitarem a ausência de mulheres na disputa eleitoral a prefeitura, como Deborah Rubiana de Souza, candidata a prefeita em Ribeirão das Neves (MG). “Sempre atuante nos movimentos políticos fui aclamada pelo grupo para ser candidata a prefeita. No momento sou a única mulher entre nove candidatos, sofrendo todo tipo de preconceito existente.”