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[fotografo]Marcelo Camargo/Agência Brasil[/fotografo]
Apesar de divergências com a primeira indicação do presidente Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF), lideranças e deputados da frente parlamentar evangélica, popularmente conhecida como bancada evangélica, afirmam que o alinhamento ao presidente continua integral. O segmento foi um dos mais ruidosos nas críticas à indicação do desembargador Kassio Nunes Marques, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, para o STF. Apoiadores do presidente alegam que o desembargador não é conservador, como queriam, e o associam à esquerda e a governos petistas.
Na noite de terça-feira (6), reportagens indicaram inconsistências no currículo acadêmico de Kassio. Entre os pontos questionados, está a equiparação de palestras e cursos a pós-doutorado. Ainda não está claro, porém, a proporção que essas questões assumirão no caminho que Kassio tem de percorrer antes de assumir a cadeira do decano Celso de Mello no Supremo. A indicação do desembargador já foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) e esta semana ele começou a conversar com senadores, responsáveis pela aprovação de seu nome. A sabatina no Senado ocorrerá no próximo dia 21.
De acordo com o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), a indicação de Kassio causou insatisfação geral dentro do segmento conservador, não ficando restrita apenas ao grupo evangélico.
“Particularmente, acho que ele [Bolsonaro] indicou um esquerdista e esperava alguém conservador. E lamento que ele tenha indicado esse nome, mas é um direito indicar quem ele quiser”, disse Sóstenes, que integra a diretoria da frente. Ele negou que exista melindre do grupo com a escolha do presidente. “Não existe nenhum mal-estar quanto a isso, desde que ele possa cumprir o que ele assumiu de compromisso público com os evangélicos.”
Na tentativa de se retratar com o grupo evangélico, que integra sua base eleitoral e parlamentar, Bolsonaro vem dizendo que já reservou a segunda indicação ao STF para um pastor. A vaga será aberta em julho de 2021, em decorrência da aposentadoria do ministro Marco Aurélio.
Apesar do barulho contra o indicado ao STF, algumas agremiações evangélicas manifestaram apoio à indicação. Entre elas, a Igreja Universal, denominação neopentecostal protestante fundada pelo bispo Edir Macedo, dono da Record TV. Em nota, a Universal diz que a indicação “pode representar um acréscimo à nossa Suprema Corte, sempre no caminho do desejável equilíbrio que toda a sociedade brasileira demanda e espera do Poder Judiciário”. O texto pontua que os bispos, pastores e fiéis e simpatizantes da Universal têm a expectativa de que o nome escolhido “saberá honrar a cadeira que ocupará no STF, em benefício de um país e de uma Justiça menos desiguais, como determina a Constituição Federal”.
Na visão do deputado Roberto de Lucena (Podemos-SP), que integra uma agremiação pentecostal (O Brasil para Cristo), Kassio Nunes aparenta ter formação adequada e notório saber jurídico. O deputado, que foi ouvido pela reportagem antes da divulgação de inconsistências no currículo do desembargador, considerou a escolha técnica e em atendimento aos pressupostos constitucionais. “Confio muito no seu discernimento, na decisão que Bolsonaro tomou”, disse ele.
Roberto de Lucena entende que o próprio presidente gerou expectativas por um nome com perfil diferente do de Kassio. “No primeiro momento, houve uma natural reação porque o nome colocado pelo presidente não estava alinhado com o perfil desenhado por ele mesmo nas manifestações anteriores”, pontuou.