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Autor do projeto, Lasier Martins disse que portaria prejudicava diagnóstico do câncer e desrespeitava uma lei de 2008
Mesmo sem estar presente na sessão virtual do Senado na noite de quarta (9), a única sessão da Casa agendada para esta semana, o presidente Davi Alcolumbre (DEM-AP) foi alvo de críticas por parte de colegas contrários à sua reeleição. Os debates sobre a possibilidade de recondução ao comando do Senado subiram de tom depois da apresentação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que permite a recondução dos presidentes da Câmara e do Senado.
A discussão culminou na desfiliação da senadora Rose de Freitas (ES) do Podemos. Ela encabeçou a PEC da reeleição e entrou em embate com seu grupo político, que já havia fechado questão contra essa alteração na Constituição. Insatisfeitos com a gestão de Davi, o Podemos e o grupo Muda Senado pretendem lançar candidatura independente em 2021.
> Senadora Rose de Freitas deixa o Podemos após conflito por PEC da reeleição
Na sessão de ontem, o senador Lasier Martins (Podemos-RS) cobrou do presidente Davi que coloque em pauta o projeto de resolução que altera o regimento interno da Casa para instituir o voto aberto para a eleição dos cargos da Mesa Diretora. O pleito interno vai ocorrer em fevereiro de 2021. Apesar de impedido pela Constituição de concorrer a um mandato consecutivo, Davi persegue a alteração através da PEC ora apresentada ou de um entendimento favorável do Supremo Tribunal Federal (STF), que analisa uma ação do PTB.
Na atribulada sessão que elegeu Davi para o atual biênio, em 2 de fevereiro de 2019, o senador firmou compromisso com o fim do voto secreto nas deliberações da Casa. “No que depender da minha condução, esta será a derradeira sessão do segredismo, do conforto enganoso do voto secreto”, disse ele na ocasião.
O senador Lasier apresentou um projeto de resolução nesse sentido ainda em 2018. “Muitos senadores e a população querem isso, em nome do princípio da transparência que se espera dos representantes eleitos”, defendeu ele. Lasier integra o Muda Senado, grupo de senadores que atua em prol de pautas de combate à corrupção e em defesa da Operação Lava Jato. Apoiador de Davi no ano passado, o grupo se queixa do não cumprimento de promessas assumidas em 2019 e já admitiu que seguirá outro caminho em 2021.