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Segundo as entidades, a MP da desoneração, defendida pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, "aumenta os custos de empregar no Brasil. Pacheco vai reunir líderes para tratar do tema na próxima semana. [fotografo]Marcos Oliveira/Agência Senado[/fotografo]
O ex-juiz Sergio Moro visitará o Senado, nesta terça-feira (23), para defender a aprovação de uma proposta de emenda constitucional paralela à PEC dos Precatórios, aprovada pela Câmara. Levado pelo senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR), Moro dará mais um passo em sua candidatura presidencial, avançando sobre o território de outro postulante ao Planalto em 2022, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). As movimentações do ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, um dos mais novos integrantes do Podemos, aumentam a pressão no PSD para que Pacheco assuma de uma vez por todas a sua condição de pré-candidato à Presidência.
O receio de aliados do senador é que ele demore demais a largar, deixando Moro disparar como nome mais viável da chamada terceira via, em oposição a Bolsonaro e ao ex-presidente Lula. Demora que também poderia, ainda segundo os defensores do lançamento imediato da pré-candidatura, reduzir as chances de ele se viabilizar como um eventual candidato a vice.
A decisão do senador também pode afetar o destino de outro político em conversas adiantadas com o PSD, o ex-governador paulista Geraldo Alckmin, que está de saída do PSDB. Assim como Pacheco, Alckmin também tem sido citado como um possível candidato a vice-presidente. Alckmin tem a experiência e a visibilidade de quem governou o principal estado do país quatro vezes e de quem disputou a Presidência em duas oportunidades. Aos 45 anos, o senador mineiro está em seu sétimo ano de mandato político.
“Há certa apreensão no partido para que Pacheco entre logo no páreo. Ele está muito tímido. Tem de assumir logo que é candidato”, defende um companheiro de partido do presidente do Senado, sob anonimato. Para esse colega, o senador também precisa descer do muro, assumir posições firmes e calibrar sua fala caso queira conquistar votos. “Discurso de defesa do Estado de direito é uma maravilha, mas não ganha eleição”, acrescenta, referindo-se a uma das expressões mais usadas por Pacheco em seus pronunciamentos.
Um parlamentar do PSD ouvido pelo Congresso em Foco avalia que o senador mineiro tem condições de avançar sobre os dois eleitorados mais cobiçados do país no momento – o lulista e o bolsonarista –, capacidade que ele não vislumbra nem em Moro nem no PSDB. Os tucanos acirraram a disputa interna no fim de semana, com a falha no aplicativo de votação das prévias do partido, que deve apontar João Doria ou Eduardo Leite como presidenciável.
“Moro está tirando votos do Bolsonaro. Quem é Lula ou de centro-esquerda jamais votará no Moro”, diz ele, citando levantamento divulgado nessa segunda pelo Instituto Paraná Pesquisa no qual o ex-juiz da Lava Jato aparece na terceira colocação com 11% das intenções de voto. A presença inédita do nome de Moro no levantamento do instituto, agora, coincide com perda de cerca de sete pontos percentuais de Bolsonaro na comparação com a pesquisa anterior, realizada em junho.