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Foto do acampamento no domingo (3) [fotografo] Reprodução/Twitter [/fotografo]
“Lembre-se, você NÃO É MAIS UM MILITANTE, VOCÊ É UM MILITAR, um militar com uma farda verde e amarela, pronto para dar a vida pela sua nação”.
É com essa frase que moderadores de um grupo bolsonarista no aplicativo Telegram mobilizam pessoas para participarem de um acampamento que acontece no gramado em frente ao Congresso Nacional, em Brasília. O nome do grupo é “300 do Brasil”, em referência aos “300 de Esparta”, obra que narra batalhas da Grécia Antiga.
Entre as bandeiras defendidas pelo movimento estão o “extermínio da esquerda” - exatamente nessas palavras -, além do fim da corrupção, o respeito à soberania nacional e a insurreição contra medidas de distanciamento social adotadas por governadores como forma de impedir o avanço da pandemia de covid-19.
Do vocabulário às estratégias, o grupo se comporta como uma milícia instalada no centro político do país, sob os olhos de todas as instituições.
[caption id="attachment_432160" align="aligncenter" width="667"]Estrutura Além do acampamento no gramado em frente ao Congresso, o grupo diz ter dois outros pontos de apoio: uma estrutura para acolhimento de novos acampados e coleta de doações no estacionamento da Funarte, próximo ao estádio Mané Garrincha, e um outro espaço chamado de Quartel General, onde há mais de 200 beliches e um local para os treinamentos, segundo informações repassadas pelos organizadores no grupo do Telegram. Em uma vaquinha online para financiar as atividades, os grupo já obteve mais de R$ 60 mil, doados por 640 apoiadores. Vínculos institucionais Apesar de o movimento se dizer espontâneo e organizado pelo povo, seus líderes tem fortes ligações com o governo Bolsonaro. Sara Winter, a principal porta-voz do acampamento, chegou a ser anunciada como coordenadora nacional de Políticas à Maternidade no Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, chefiado por Damares Alves. A nomeação, entretanto, não chegou a ser formalizadaA percepção do povo sobre o que está acontecendo no país é a mais genuína manifestação de democracia. Isso não é estimulado por Bolsonaro, é o povo indignado mesmo, com a postura de algumas altas autoridades. Portanto, reflitam, ao invés de procurar culpados. #FechadoComBolsonaro pic.twitter.com/ghuaX5aOto
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) May 3, 2020
Além de Sara, outro organizador do movimento é ligado ao ministério de Damares. Oswaldo Eustáquio, que segundo Sara foi o idealizador do acampamento, é casado com Sandra Terena, secretária nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. Ação policial Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, por força do Decreto nº 26.903, de 12 de junho de 2006, é vedado o uso das áreas públicas da Esplanada dos Ministérios, da Praça dos Três Poderes e dos Eixos Monumental e Rodoviário, em toda extensão, para qualquer tipo de acampamento. De acordo com a PMDF, no domingo (3) foi concedido um prazo para saída dos manifestantes em acampamento e, antes do término, eles deixaram o local, conforme estabelecido. Nesta quarta-feira (6), entretanto, alguns manifestantes voltaram a instalar barracas em frente ao Ministério da Justiça. “A PMDF solicitará ao DF Legal que notifique os manifestantes a fim de retirarem as barracas, em cumprimento ao Decreto nº 26.903”, diz a nota. “Importante ressaltar que a Secretaria de Segurança Pública e o Centro Integrado de Operações de Brasília (CIOB), composto por 22 órgãos, instituições e agências do governo, monitoram atos públicos de toda e qualquer natureza, respeitados os limites constitucionais”. A Câmara dos Deputados, um dos principais alvos dos manifestantes, informou que o Departamento de Polícia Legislativa tem acompanhado as atividades realizadas pelo grupo nas imediações do Congresso Nacional. “Até o momento, não houve nenhuma ação passível de gerar registro de ocorrência policial no departamento”, diz. Enquanto se reorganiza, o acampamento recebe novos apoios, conforme vídeo publicado no grupo do Telegram. >Sul e Sudeste perdem R$ 3 bilhões com mudanças feitas pelo Senado em PLVenho anunciar a todos vocês que fui nomeada pela Ministra Damares, como Coordenadora Nacional de Políticas à Maternidade.
Nossa luta por um país sem aborto, sem violência obstétrica, com mais dignidade, conforto e segurança para a gestante e o bebê só está começando. pic.twitter.com/AgdOuKy1U1 — Sara Winter (@_SaraWinter) April 25, 2019