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Eduardo Bolsonaro afirmou, em entrevista a Leda Nagle, que deve vir um novo AI-5 se a esquerda radicalizar
O Conselho de Ética da Câmara instaurou nesta terça-feira (26) dois processos contra Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Um deles pede a cassação do mandato do deputado por conta da declaração em que Eduardo sugeriu a volta do AI-5 no Brasil - declaração que foi classificada como infeliz e fora de contexto pelos parlamentares que podem conduzir essa representação. Já o segundo acusa Eduardo de ter comandado um "linxamento virtual" contra Joice Hasselmann (PSL-SP) e pode ficar a cargo tanto de aliados quanto de opositores do governo Bolsonaro. Veja quem são os deputados que disputam a relatoria das representações contra Eduardo Bolsonaro:
> Entenda como funcionará o processo de cassação de Eduardo Bolsonaro
AI-5
A primeira representação é fruto de dois processos diferentes que foram apresentados pela oposição - um de forma conjunta pelo Psol, PT e PCdoB e outro isoladamente pela Rede - depois que Eduardo Bolsonaro disse que um novo AI-5 poderia ser instaurado no Brasil caso a esquerda radicalizasse. "Defender o AI-5 é defender o momento mais violento de uma ditadura que durou 21 anos e tirou vidas. Esta foi o ato que fechou o Congresso. Então, quando um deputado conclama o AI-5, ele ameaça a democracia, ameaça o Congresso", justificou o deputado Marcelo Freixo, dizendo que o fato de vários partidos terem representado contra essa fala de Eduardo Bolsonaro também dá uma importância peculiar a esse processo. "É o único caso, em um ano campeão de denúncias, em que um conjunto de deputados denunciou a quebra de decoro de um parlamentar", destacou Freixo, pedindo atenção especial a esse processo.
> Radicalização da esquerda justifica edição de novo AI-5, afirma Eduardo Bolsonaro
O processo sobre o AI-5 foi, então, o primeiro a ser avaliado nesta terça-feira. Como determina o regimento, foram sorteados três deputados, entre os integrantes do colegiado, para relatar o processo. O presidente do Conselho de Ética, deputado Juscelino Filho (DEM-MA), deve conversar e escolher entre esses três o relator do caso. E os candidatos são: Igor Timo (Podemos-MG), Darci de Matos (PSD-SC) e Sidney Leite.
> Veja a íntegra dos processos contra Eduardo Bolsonaro
Vice-líder do Podemos na Câmara, Igor Timo disse que não vai fugir dessa responsabilidade se for o escolhido para a relatoria e adiantou ao Congresso em Foco o que pensa sobre a declaração de Eduardo Bolsonado sobre a volta do AI-5: "Uma fala fora de contexto, algo fora de cogitação, que só uma parcela muito pequena da sociedade apoiaria". Timo ainda disse que foi uma infelicidade o deputado Eduardo Bolsonaro tocar nesse assunto, já que não há clima na sociedade para discutir isso.
Vice-líder do PSD, Sidney Leite também criticou a fala de Eduardo Bolsonaro. "O Estado Democrático de Direito não pode ser afrontado dessa forma e o Brasil não pode regredir. Somos uma democracia jovem e temos que lutar pelo seu fortalecimento. Essa declaração é inadmissível", disse o deputado em uma rede social quando a fala de Eduardo veio à tona.
Da mesma forma, Darci de Matos classificou como infeliz essa fala sobre o AI-5, mas destacou que é preciso estudar o processo antes de emitir opiniões mais claras sobre o assunto. Matos, por sua vez, não esconde o apoio ao governo de Jair Bolsonaro.
Vice-líder do PSD na Câmara, o deputado chegou a espalhar outdoors em defesa do pacote anticrime de Moro na sua cidade, Joinville. No outdoor, cuja foto foi compartilhada pelo próprio Darci nas suas redes sociais, o deputado aparece ao lado do presidente Jair Bolsonaro e do ministro Sergio Moro. Questionado se esse alinhamento com o governo poderia influenciar sua decisão, ele, no entanto, limitou-se a dizer que é aliado do Brasil. Veja o outdoor:
Igor Timo e Sidney Leite, por sua vez, ressaltaram que são parlamentares mais independentes e não fazem parte da base do governo. Timo, porém, também não quis avaliar por enquanto se a fala de Eduardo Bolsonaro realmente deve ser passível de punição. "O processo tem que ser avaliado com profundidade", alegou.JOINVILLE é uma terra de gente honesta que com seu esforço e trabalho construiu a maior cidade de Santa Catarina.
Não aceitamos conviver com a impunidade! PRISÃO EM 2ª INSTÂNCIA E PACOTE ANTICRIME JÁ!! pic.twitter.com/bxx8aczHno — Darci de Matos (@depdarcidematos) November 21, 2019