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Lula discursou para multidão em evento organizado pelo Coldplay em Paris. Foto: Ricardo Stuckert
Em discurso na Cúpula do Novo Pacto de Financiamento Global, em Paris, na França, nesta sexta-feira (23), o presidente Lula defendeu que não há como discutir preservação ambiental sem também abordar a desigualdade mundial. E cobrou maior contribuição dos países ricos para a resolução desse tipo de problema, citando a desigualdade salarial, de raça e de gênero.
“Nós estamos em um mundo cada vez mais desigual e cada vez mais a riqueza está concentrada nas mãos de menos gente e a pobreza concentrada na mão de mais gente. Se nós não discutirmos essa questão da desigualdade e se a gente não colocar isso com tanta prioridade quanto a questão climática, a gente pode ter um clima muito bom e o povo continuar morrendo de fome em vários países do mundo. Não é só na África não. É na América Latina, é no Brasil”, acrescentou.
O presidente brasileiro lamentou que o Brasil tenha vivido retrocesso nos últimos anos no combate à desigualdade e tenha voltado ao "mapa da fome". “Quando fui presidente do Brasil de 2003 a 2010 e a presidente Dilma de 2010 a 2016, a ONU reconheceu que o Brasil tinha saído do mapa da fome. Naquela época a gente tinha feito com que 36 milhões de pessoas saíssem da miséria absoluta e 40 milhões ascendessem a um poder de compra de classe média. 13 anos depois eu volto à presidência e outra vez 33 milhões de pessoas estão em situação de fome”, disse.
A Cúpula para um Novo Pacto Financeiro Global é organizada pelo presidente da França, Emmanuel Macron, em Paris. A cúpula pretende repensar a estrutura do sistema financeiro global, visando reduzir desigualdades, combater as mudanças climáticas e proteger a diversidade.
Ao lado de Macron, Lula também criticou os termos do acordo União Europeia-Mercosul. As medidas, em caso de descumprimento das obrigações, são consideradas duras pelo governo brasileiro.
"Eu estou doido para fazer um acordo com a União Europeia. Mas não é possível, a carta adicional que foi feita pela União Europeia não permite que se faça um acordo. Nós vamos fazer a resposta, e vamos mandar a resposta, mas é preciso que a gente comece a discutir. Não é possível que nós temos uma parceira estratégica, e haja uma carta adicional que faça ameaça a um parceiro estratégico", afirmou o presidente.
Discurso que fiz hoje em Paris no #PowerOurPlanet. A Terra é nossa única casa. Juntos devemos trabalhar por um futuro melhor. pic.twitter.com/SaYp1xn2Jr
— Lula (@LulaOficial) June 22, 2023