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"Diferentemente do impeachment, no recall o governante não precisa ter cometido crime algum"
Uma das principais ferramentas da democracia direta é o recall político, mecanismo inventado na Grécia Antiga, berço da democracia. Trata-se da possibilidade de o eleitor revogar o mandato do governante antes do término de seu mandato. Diferentemente do impeachment, no recall o governante não precisa ter cometido crime algum; basta que ele tenha perdido a confiança dos eleitores. Ao lado de outros mecanismos, como o plebiscito e o referendo, o recall pode contribuir para aumentar a participação da população na política, aperfeiçoando a democracia.
Nos Estados Unidos, o recall surgiu em 1903, por iniciativa do futuro presidente Theodore Roosevelt. Doze estados e cerca de mil municípios americanos adotam o mecanismo, que entrou em vigor pela primeira vez em 1911 na Califórnia. Desde então, quatro governadores daquele estado foram afastados por meio de recall. O mais recente foi o governador Gray Davis, do Partido Democrata, em 2003.
Esse mecanismo existiu na República de Weimar e hoje está presente em alguns cantões da Suíça, na Colúmbia Britânica (Canadá) e em alguns países sul-americanos. E o Brasil foi um dos primeiros a instituir esse instrumento. Sob influência de José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência, um decreto de 1822 criou o Conselho dos Procuradores-Gerais das Províncias do Brasil, estabelecendo a possibilidade de destituição dos eleitos, por iniciativa dos eleitores, caso não cumprissem suas obrigações.
As primeiras constituições republicanas dos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Goiás e Santa Catarina previam o princípio do recall. Mas, como a iniciativa de Bonifácio, esses mecanismos duraram muito pouco e não chegaram a ser utilizados.
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