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Apoiadores de Olavo de Carvalho tentam incluir seu nome em monumento que já conta com figuras de esquerda como Brizola e Chico Mendes [fotografo]Reprodução/YouTube[/fotografo]
Dois projetos de lei, apresentados pelas deputadas Carla Zambelli (PSL-SP) e Bia Kicis (PSL-DF), procuram incluir o nome do ‘guru’ de Jair Bolsonaro, Olavo de Carvalho, no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria. Se aprovado, seu nome poderá dividir espaço com figuras históricas ligadas a causas combatidas por Olavo ao longo de sua vida.
No entendimento das deputadas, o ensaísta deve ser listado no livro por defender “defesa intransigente da liberdade, a valorização da busca pelo conhecimento, e sua postura de participação cívica”, e porque “sua obra despertou o interesse pela liberdade e por valores conservadores”. Citam o sucesso de vendas de suas obras “O Jardim das Aflições” e “O Imbecil Coletivo”: os dois primeiros livros em que Olavo de Carvalho procurou promover suas teorias de conspiração e atacar as comunidades acadêmicas.
Olavo de Carvalho não é o primeiro ídolo do bolsonarismo a ter seu nome proposto no livro de aço guardado no Panteão da Pátria, em Brasília. Em 2017, o até então deputado Jair Bolsonaro elaborou um projeto para a inclusão de Enéas Carneiro, principal expoente da extrema-direita na década de 1990 e fonte de inspiração nos discursos de Bolsonaro em sua campanha presidencial em 2018.
Uma eventual aprovação poderia colocar Olavo de Carvalho ao lado de figuras com reputações combatidas por ele e seu seguidores: desde Leonel Brizola, opositor do regime militar cujo o escritor já manifestou o desejo de agredir e classificou como “o pior governador que o Rio já tivera desde o tempo de Mem de Sá”; a Chico Mendes, líder ambientalista e um dos fundadores do PT, partido combatido por Olavo de Carvalho.
Seu nome ainda corre o risco de dividir espaço com Carlos Marighella, ex-deputado e líder comunista que atuou na liderança de guerrilhas contra o regime militar, assassinado pela ditadura em 1969. Sua inscrição no livro foi aprovada no último mês de novembro pela Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, podendo ser analisada em plenário ainda em 2022.