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[fotografo] Fabio Colombini [/fotografo]
“Se eu dissesse que Brasília é bonita, veriam imediatamente que gostei da cidade. Mas se digo que Brasília é a imagem de minha insônia, veem nisso uma acusação. Mas minha insônia sou eu, é vivida, é o meu espanto. Os dois arquitetos (Lucio Costa e Niemeyer) não pensaram em construir beleza, seria fácil: eles ergueram o espanto deles e deixaram o espanto inexplicado. A criação não é uma compreensão, é um novo mistério", escreveu a escritora Clarice Lispector.
Niemeyer comentou, numa entrevista concedida a ela, no fim da década de 1960:
Sua observação me deixa satisfeito. Meu intuito ao projetar a arquitetura de Brasília foi, antes de tudo, fazê-la diferente e, se possível, plena de surpresa e invenção."O arquiteto completou: “Pretendia uma arquitetura que a caracterizasse e, nesse aspecto, me sinto realizado, vendo que seus elementos arquitetônicos - as colunas do Alvorada, por exemplo, vão se repetindo, sendo utilizados nas formas mais diversas".
Brasília marca seus 60 anos em meio ao isolamento social, a uma quarentena que remonta nas ruas o vazio melancólico que Clarice apontava décadas atrás. Mas hoje há muitos corações batendo por ela e muitas mãos para aplaudi-la dentro das casas brasilienses.
E, neste dia, vale muito lembrar as palavras de Niemeyer para Clarice ao encerrar aquela histórica entrevista. Sobre o que é mais importante para o homem como indivíduo.Sentir a fragilidade das coisas e a pouca importância de tudo que realizamos, ter prazer em ser útil e solidário com os que sofrem, usufruindo da vida os momentos de prazer e ilusão que ela nos propicia. Dar ao amor o sentido universal que merece. Nascemos pra amar. Para isso, sem consulta, fomos depositados neste planeta.”