Notícias

Não há descompromisso fiscal da parte do presidente, afirma Haddad

Na sexta, presidente indicou descumprimento da meta fiscal do próprio governo, dizendo que ela “não precisa ser zero”

30/10/2023
Publicidade
Expandir publicidade

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, divulgou as últimas medidas do governo, presentes na MP Foto: Pedro Gontijo/Senado Federal
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tentou nesta segunda-feira (30) amenizar as falas do presidente Lula (PT) sobre a meta fiscal brasileira, dizendo que a declaração do petista foi um alerta. Segundo o ministro, o presidente somente constatou uma realidade por causa de "ralos fiscais e tributários" criados por decisões do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. Haddad ressaltou que a fala de Lula não está prejudicando ou sabotando a economia. Na sexta-feira, o mercado reagiu negativamente às falas do presidente Lula . Para o ministro, contudo, o presidente está "constatando os problemas" de decisões que precisam ser reformadas. Já as que não podem ser alteradas, precisam de outras respostas. "A verdade é que a sustentabilidade do país depende da correção da erosão da base fiscal do Estado brasileiro", disse Haddad. "Então, o presidente comemora, como todo brasileiro, os dados de desemprego, que está caindo [...] está preocupado com essa outra dimensão que é fundamental para que as coisas se encontrem". Na sexta-feira (27), Lula afirmou em um café da manhã com jornalistas que o governo “dificilmente” vai cumprir a meta fiscal de déficit zero para as contas públicas em 2024 anunciada por Haddad. O presidente sinalizou a possibilidade de revisão da meta fiscal para o ano que vem, dizendo que ela “não precisa ser zero”. Entre os ralos fiscais e tributários citados por Haddad estão a lei aprovada pelo Congresso em 2017 que abriu brechas para empresas abaterem da base de cálculo do imposto devido incentivos fiscais dados pelos Estados. Segundo ele, a estimativa é de um impacto de R$ 200 bilhões nas contas públicas somente para este ano. Por outro lado, o STF decidiu em 2017 que o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) não deveria entrar no cálculo do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). A chamada tese do século permite que empresas peçam de volta impostos pagos nesse modelo por meio de créditos tributários. "Essa é a razão pela qual as estimativas que nós tínhamos de receita para este ano não estão acontecendo na velocidade que pretendíamos, mesmo com o PIB crescendo", disse Haddad. Segundo o ministro, são essas as informações que deram base para a fala de Lula sobre a meta fiscal não precisar ser de déficit zero. Haddad contou que o presidente pediu que ele conversasse com os líderes do Congresso sobre possíveis soluções para corrigir distorções tributárias.
Veja mais no portal
cadastre-se, comente, saiba mais

Notícias Mais Lidas

Artigos Mais Lidos