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Glauber Braga (Psol-RJ) é acusado de quebra de decoro por supostas ofensas proferidas contra o presidente Arthur Lira (PP-AL) na tribuna. Foto: Wesley Amaral/Agência Câmara
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados ouve nesta quarta-feira (30) testemunhas de acusação em processo contra o deputado Glauber Braga (Psol-RJ). O parlamentar é acusado de quebra de decoro após episódio no qual expulsou da Câmara, aos pontapés, o militante do Movimento Brasil Livre (MBL) Gabriel Costenaro, no dia 16 de abril.
A representação, movida pelo Partido Novo, foi aprovada por dez votos a favor. Apenas dois deputados se opuseram à abertura do processo. No documento, a sigla ressaltou que Glauber Braga não se arrependeu da agressão e destacou outro processo que o parlamentar enfrenta no colegiado.
O Conselho aprovou a abertura do processo no dia 11 de setembro. A matéria está sob relatoria do deputado Paulo Magalhães (PSD-BA). Nesta reunião as testemunhas arroladas pelo parlamentar são: Gabriel Costenaro e os deputados federais Kim Kataguiri (União Brasil-SP) e Alberto Fraga (PL-DF).
Acompanhe a sessão:
O que dizem as testemunhas
Com mais de 500 mil seguidores no Instagram, Gabriel Costenaro é um influenciador digital. Em seus vídeos, ele provoca deputados, jornalistas em transmissões ao vivo, estudantes universitários e militantes de esquerda durante manifestações. Durante a oitiva, o membro do MBL negou que ameaçou um manifestante do Psol, conforme Glauber Braga afirma. Costenaro também confirmou ter encontrado o deputado em outras ocasiões.
O influenciador digital também negou ter agredido a ex-namorada, uma das acusações de Glauber durante o vídeo. Na ocasião, o parlamentar disse: “Violência doméstica da sua parte. Seus seguidores não sabiam?”, em referência a um caso de Costenaro contra a ex-companheira. O militante do MBL, porém, alegou que venceu o referido processo por “difamação”.
Costenaro se desculpou por ter chamado a mãe de Glauber de corrupta na ocasião, mas não se desculpou por posteriormente tê-la chamado de "safada". 22 dias depois, a mãe do deputado faleceu. à época da confusão, ela estava com quadro avançado de Alzheimer. "Eu sinto muito pela sua mãe ter falecido. Só que aí eu devolvo também a pergunta: você se arrepende de insinuar que eu agredi mulher?", respondeu o militante do MBL.
Questionado pelo deputado Chico Alencar (Psol-RJ) se a reação de Glauber foi proporcional após os ataques à honra da própria mãe, a testemunha deputado Alberto Fraga deu razão ao psolista. "Se tivessem xingado minha mãe, eu teria esperado passar a porta para quebrar na porrada", afirmou.
Relembre o episódio
Aos gritos de “põe para fora, deputado” e “vergonha”, Glauber começa a empurrar Gabriel Costenaro para fora do anexo da Câmara dos Deputados e lhe desfere um chute nas pernas. Alguns homens tentam dissuadir o parlamentar, já do lado de fora, afirmando que “é isso que ele quer” e dizendo “não deixa esse babaca (sic) aparecer em cima de você, não, Glauber”.
Posteriormente, Glauber discutiu com o deputado Kim Kataguiri, que ganhou notoriedade pública e política como um dos cofundadores e coordenadores do MBL. A interação também foi registrada em vídeo. O psolista chama o colega de “defensor do nazismo”, em referência à participação de Kim Kataguiri no Flow Podcast, na qual o parlamentar se opõe à criminalização do nazismo na Alemanha. No vídeo, é possível ver policiais da Polícia Legislativa Federal contendo Glauber Braga e o separando de Kim Kataguiri.
Nas redes sociais, Glauber afirmou: “Não me arrependo absolutamente de nada do que fiz!”. Conforme o deputado, “esse sujeito do MBL tem histórico de agressão a mulheres. É a 5ª provocação dele! Na 4ª vez ele ameaçou a mãe de um militante nosso com mais de 70 anos dizendo que sabia onde ela morava”.
Glauber Braga expulsa militante do MBL da Câmara na base do chute na bunda. Vídeo do @LulaMarques pic.twitter.com/W1JaRVqcaI
— GugaNoblat (@GugaNoblat) April 16, 2024