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"Pirotecnia"
No fim da sessão, houve aplausos pela decisão do conselho. Com ampla maioria, os deputados consideraram que não havia provas para que o processo continuasse. "Manchar a imagem da Casa, a imagem de um parlamentar, com base em denúncia anônima, é um precedente perigoso", disse Teixeira. Para Wladimir Costa (PMDB-PA), o caso é uma "pirotecnia". "Eu nunca vi uma pirotecnia tamanha contra o deputado Costa Neto. É um denuncismo barato", disparou.
Também houve críticas contra o trabalho da imprensa. A representação assinada por PPS e Psol era baseada em reportagens recentes das revistas Veja e Istoé e dos jornais Correio Braziliense, Folha de S. Paulo e O Globo. "É condenar antecipadamente alguém só pelas notícias da imprensa, que adora jogar políticos na jaula dos leões", criticou o deputado Assis Carvalho (PT-PI).
Veja como votaram os deputados do Conselho de Ética:
Amauri Teixeira (PT-BA) - Não
Assis Carvalho (PT-PI) - Não
Sibá Machado (PT-AC) - Não
Waldenor Pereira (PT-BA) - Não
Mauro Lopes (PMDB-MG) - Não
Paulo Piau (PMDB-MG) - Não
Wladimir Costa (PMDB-PA) - Não
Carlos Sampaio (PSDB-SP) - Sim
Fernando Francischini (PSDB-PR) - Sim
Sandes Júnior (PP-GO) - Não
Vilson Covatti (PP-RS) - Não
Mandetta (DEM-MS) - Não
Henrique Oliveira (PR-AM) - Não
Lúcio Vale (PR-PA) - Não
Dr. Ubiali (PSB-SP) - Não
Ricardo Izar (PV-SP) - Não
Jorge Corte Real (PTB-PE) - Não
Evandro Milhomen (PCdoB-AP) - Não
Justa causa
Para o relator da representação, Fernando Francischini (PSDB-PR), os quatro fatos denunciados configuram, inicialmente, quebra de decoro parlamentar. Por conta disso, deveria começar a fase de investigação contra Valdemar. "Não há dúvida de que os atos da representação podem constituir quebra de decoro", afirmou o tucano. Antes de ler o parecer prévio, o deputado disse que não tem "nada pessoal" contra o parlamentar do PR e contra o Partido da República.
Durante a leitura do parecer, Francischini fez um apelo aos colegas. Disse que é preciso "ter firmeza" para absolver, dar uma pena alternativa ou pedir a cassação. "Nos parece fundamental apurar. A representação é apta, possui justa causa. Agora não temos como arquivar temos que apurar", ressaltou. "Os documentos comportam o suporte probatório mínimo, os fatos chegaram ao conhecimento em larga escala somente agora."
"Não existia mal feito"
Em pronunciamento aos colegas durante a sessão do Conselho de Ética, Valdemar negou todas as acusações. Disse que a revista Veja, que publicou reportagem sobre as negociações no Ministério dos Transportes, mentiu e não apresentou "provas, valores, empresas e obras". "Para a revista, bastou apresentar as visitas ao ministério", disse. Para ele, o trabalho das autoridades competentes "vai comprovar que não existia mal feito".
No caso da Feira da Madrugada, o deputado do PR disse que faltam provas ou evidências. "Uma leitura mais atenta das cartas mostra que, em nenhuma das correspondências há uma acusação contra a minha pessoa." Ele fez referência às correspondências trocadas entre dois vereadores paulistanos que comentavam o suposto pagamento de propinas de comerciantes para ficarem na feira. "Reitero a inexistência de qualquer fato que desabone minha conduta poltica", afirmou.
Conselho de Ética rejeita processo contra Valdemar