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Impasse sobre emendas ameaça calendário de votação do orçamento no Congresso

Ministro Flávio Dino, do STF, ainda deve decidir sobre as novas regras para emendas parlamentares. Decisão pode derrubar cronograma

26/11/2024
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Liberação de emendas parlamentares seguem travando orçamento 2025 e apesar de sanção, palavra final é do ministro do STF Flávio Dino Foto: Jonas Pereira/Agência Senado
A Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional divulgou nesta terça-feira o calendário de tramitação dos projetos de lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) e Orçamentária Anual (PLOA), prevendo que o envio à Mesa do Congresso ocorra nos dias 11 e 13 de dezembro, respectivamente. Esse cronograma, porém, pode desabar com uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso porque a novela das emendas parlamentares não acabou com a sanção do presidente Lula à lei que estabelece novas regras de transparência. A decisão sobre o retorno do pagamento dos recursos está nas mãos do ministro do Flávio Dino, que suspendeu a execução das emendas em agosto e deverá avaliar se o texto aprovado e sancionado atende às demandas de transparência e rastreabilidade. Entidades e a consultoria do Senado afirmam que o texto não atende às exigências do magistrado. Um líder ouvido pelo Congresso em Foco pontuou que, na prática, o destino do pacote de corte de gastos que deve ser apresentado pelo governo em breve também está nas mãos de Dino. O motivo, novamente, é a liberação de emendas parlamentares, que vem sendo uma ferramenta de negociação entre o governo e o Congresso para a aprovação de projetos. Sem elas, as medidas de Haddad podem naufragar no Legislativo. Este mesmo senador afirmou que há a possibilidade do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentar o ajuste fiscal em reunião com líderes do Congresso na quinta (28).

O cronograma

A Comissão Mista de Orçamento (CMO) divulgou as seguintes datas para a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO):
  • Votação do relatório preliminar do projeto na comissão na próxima quarta-feira, 27.
  • Votação final do relatório da LDO na CMO no começo de dezembro, entre os dias 6 e 10.
No caso do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), definiu-se que:
  • O prazo para a apresentação de emendas à despesa e receita, bem como a renúncia de receita, inicia na quinta (28), na CMO, e vai até às 18 horas do dia 4 de dezembro.
  • A votação do relatório da receita e suas emendas está programada para ocorrer no dia seguinte, 5 de dezembro.
Os projetos de orçamento estavam travados no Congresso por conta do projeto de transparência das emendas parlamentares. A previsão de emendas parlamentares faz parte do orçamento, e o texto definia novas regras para isso. Agora, com a lei sancionada pelo presidente Lula, as peças podem voltar a tramitar -- com grande atraso. Em tese, a LDO deve ser enviada pelo Executivo ao Congresso até o dia 15 de abril e votada até o dia 30 de junho para que, só depois disso, os parlamentares tirem as férias no meio do ano. No caso da LOA, o projeto deve ser encaminhado ao Congresso até o fim de agosto e votado até o último dia do calendário Legislativo. A LOA detalha os gastos do governo federal do ano seguinte e é norteada pela LDO. Com o impasse sobre as emendas, não é descartado que as matérias orçamentárias só sejam votadas em 2025.
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