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CAE do Senado aprovou permanência do Fundo Garantidor de Operações, fonte de recursos de programa de crédito para micro e pequenas empresas. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Uma nota técnica da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado publicada na terça-feira (6) indica uma distorção no debate entre o governo Lula e o Congresso Nacional a respeito da desoneração da folha, benefício fiscal concedido a 17 setores. Leia aqui a íntegra do documento.
O estudo indica problemas nas medidas colocadas na mesa pelos dois lados. O cardápio de propostas do Senado, segundo a IFI, não chega perto de compensar as perdas dos cofres públicos com a desoneração. O governo, por sua vez, trouxe a ideia de elevar a cobrança de um imposto, a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) – o que, pelo que indica o estudo, trará uma arrecadação muito acima do necessário para compensar o rombo deixado pela desoneração, especialmente em 2026 e 2027.
Esta diferença vem especialmente pelo fato de que o governo propõe aumentar a alíquota do CSLL em um ponto percentual, enquanto o projeto no Senado diminui a desoneração gradualmente, ano a ano.
Reoneração escalonada
O Projeto de Lei 1.847, que hoje tramita no Senado sob a relatoria de Jaques Wagner (PT-BA), estabelece uma espécie de meio-termo entre a posição dos Poderes Executivo e Legislativo: em vez de interromper a desoneração da folha (como quer o governo) ou esticar seu período de vigência (como havia decidido o Congresso), ela estabelece uma reoneração gradual:- em 2024, a desoneração da folha continua;
- em 2025, a folha de pagamento das empresas passa a ser taxada em 5%
- em 2026, o imposto sobe para 10%;
- em 2027, para 15%;
- em 2028, a alíquota retorna ao patamar original de 20% – ou seja, não há mais desoneração.
- Em 2025, segundo a IFI, a alta no CSLL somada a outras medidas propostas pelo Senado vai render R$ 22,8 bilhões ao governo, valor próximo aos R$ 20,9 bi que o governo espera perder com a desoneração.
- Mas, em 2027, o governo só espera perder R$ 7,8 bilhões com a desoneração. Já os cálculos da IFI indicam uma alta de R$ 23,7 bi na arrecadação pelas medidas compensatórias, mais que o triplo da perda.