Emanuel Medeiros Vieira* ?Não Matarás?: não basta.Teu mandamento será este: farás tudo para que o outro viva.É vero sim o que quero:não me importa o estoque de teu capital, Brasil,mas tua capacidade de: amar lavrar aspirar compreender.Esse estatuto de miséria não é o nosso,e a tecnologia da última geração não me sacia:meu coração navegador quer mais.A Ética ? cuspida, debochada, no reino do simulacro,Virou produto supérfluo porque não tem valor contábil.
Tempo dessacralizado e sem utopia:a esperança é um cavalo cansado?A aventura acabou no mundo?Seremos apenas meros grãos de areia na imensa praia global?Habitantes de um mundo virtual neste mercado sem cara?Soará pomposo, eu sei:não deixemos que nos amputem a alma(e que acolhamos o outro).Ser gente: não mera massa abúlica, informe, com os olhos coladosno retângulo luminoso de todas as noites.O tempo é apenas dos alpinistas sociais?Sou bom porque apareço, não apareço porque sou bom.
Na internet a solidão é planetária.,mas do abismo ? fragmento ? irrompe um menino eterno,e sentes o cheiro de uma manhã fundadora.(A Morada do Ser é mais importante que o poder/glória.)
E o poema resiste,singra a eternidade,despista a morte,seu estatuto não é mercantil.
Já não esqueces o essencial:Na estrada de pó e de esperança, acolhes o outro.
*Este texto obteve o Primeiro Lugar no Concurso Nacional de Poemas, promovido pela Associação de Cultura Luso-Brasileira, de Juiz de Fora, Minas Gerais, sendo contemplado com a Medalha de Ouro Jacy Thomaz Ribeiro. O tema do concurso foi ?Solidariedade: Por um Mundo Melhor?