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Luís Roberto Barroso é o novo presidente do STF. Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF
O novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, fez um discurso pró-minorias em sua cerimônia de posse nesta quinta-feira (28), destacando temas que hoje tensionam a relação da Suprema Corte com o Congresso Nacional. Segundo o magistrado, “cabe-nos [ao STF] a proteção dos direitos fundamentais”, que “são a reserva mínima da justiça em uma sociedade”.
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- o plenário do STF decidiu contra o marco temporal das terras indígenas, tese que restringia a demarcação de terras para povos originários. O posicionamento da Corte irritou os deputados da bancada ruralista, que anunciaram uma obstrução na Câmara, buscando impedir a votação de projetos em plenário. O Senado, por sua vez, aprovou nesta quarta-feira (27) uma lei a favor do marco temporal -- ou seja, oposta ao entendimento do STF.
- também tramita na Suprema Corte um processo a respeito do aborto. A ministra Rosa Weber votou pela realização do procedimento até 12 semanas de gestação. O voto despertou a oposição de parlamentares da direita.
- na Câmara, a comisão da Previdência vem discutindo um projeto que veta o casamento civil homoafetivo, contra o entendimento firmado no STF em 2011.
Gilmar Mendes: crítica ao “populismo autoritário”Decano da corte, o ministro Gilmar Mendes também discursou na cerimônia. Concentrou a abertura do seu discurso em críticas aos ataques à Corte durante o governo de Jair Bolsonaro, embora não tenha citado o ex-presidente nominalmente. O magistrado disse que os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 foram a culminação de um processo de ameaças à Suprema Corte. “Essa Corte suportou durante um par de anos ameaças de um populismo autoritário”, declarou. Segundo ele, “o 8 de janeiro ocupa o ápice nesse inventário infame”. O ministro ainda fez menção à disseminação de desinformação e de seus efeitos nocivos para a democracia: “Não pertence ao conceito de democracia que ela crie as condições para sua eliminação”. De acordo com Gilmar, o Judiciário não pode se perder em “cortinas de fumaça” como “o debate histriônico sobre placas de banheiro”.