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Coalizão Negra pretende transformar o cenário político nas eleições municipais

Coalizão Negra pretende ampliar participação de pessoas negras nas eleições municipais e fortalecer a democracia.

20/7/2024
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Foto: Fran Silva/ Coalizão Negra

A Coalizão Negra por Direitos lançou um manifesto a fim de promover mudanças e ampliar participação de pessoas negras nas eleições municipais deste ano. A instituição, formada por mais de 290 organizações e coletivos negros de todo o país, divulgou o intitulado “Manifesto do Quilombo nos Parlamentos”. O documento contém estratégias para combater a desigualdade racial no âmbito político.

“A participação nos espaços de poder e de tomada de decisão é uma reivindicação histórica do movimento negro, porque a contribuição da população negra para a construção do Brasil é inégavel”, diz trecho do manifesto.

Com foco nas eleições de 2024, a coalizão também volta os olhares para a distribuição de fundos partidários, identificação de possíveis fraudes nas cotas raciais e combate a violência política. De acordo com Ingrid Farias, que integra a coordenação da instituição, a coalizão nasce com o objetivo de fazer incidência política nos poderes executivo, legislativo, judiciário e no âmbito internacional.

Bancada negra é minoria

Ingrid reitera que a intenção é transformar o cenário político atual composto por pessoas que historicamente ocupam os espaços de poder. Enquanto a bancada negra ainda é minoria, não chega a 30% do parlamento.

Nas eleições de 2022, a Coalizão Negra promoveu a pré-candidatura de 144 membros do movimento negro. Como desfecho, as candidaturas receberam 4.093.148 votos, representando 3,46% dos votos válidos. Do total de candidaturas, 29 pessoas foram eleitas. Esse número representa 11 candidatos na Câmara Federal, correspondendo a 23% , e 18 candidatos em Assembleias Estaduais, representando 19% .

Ingrid também ressalta a importância da participação de grupos minorizados na política.

“Esse ano o Quilombo dos Parlamentos está focado em fazer a denúncia de como esse sistema político eleitoral nos últimos anos vem se alterando, de forma a cada vez mais beneficiar partidos e instituições que sempre tiveram nos espaços de poder. Cada vez menos beneficiando mulheres, pessoas negras, indígenas, na possibilidade de ocupar e participar da política. Então a gente entende esse ano que é muito importante que a gente possa estar com uma incidência muito pautada para esse momento eleitoral, mas também para o pós-momento eleitoral”, afirma.

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Aquilombamento 

Para Mariana Andrade, representante da Frente de Mulheres Negras do Distrito Federal, o avanço de pessoas negras na política ainda é lento.

“A gente tem uma sub-representação enorme. E o que a gente vê hoje na conjuntura é que o sistema quer ampliar a sub-representação. Sempre assim. A gente dá passos pra frente e eles fazem de tudo para gente retroceder o máximo possível”, desabafa.

Para Ingrid, aquilombar é ampliar a presença negra em diversos espaços, não apenas da política. Ela salienta que o quilombo no parlamento tem o objetivo de fortalecer a democracia.

“A população negra não tem um projeto para a população negra no Brasil. A população negra tem um projeto para o Brasil, para a população brasileira. Então é importante dizer isso porque essa agenda que a gente está fazendo aqui é pelo povo brasileiro”.

Reportagem escrita pela estagiária Ranielly Aguiar com supervisão da editora Louise Freire
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