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Caso Renan prossegue sem relator

19/6/2007
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O processo no Conselho de Ética contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), segue sem um relator. Hoje (19) à tarde, reunidos na liderança do PT, os senadores não conseguiram encontrar um substituto para Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que deixou a função no final de semana, alegando problemas de saúde.

 

De acordo com o líder do PSB na Casa, Renato Casagrande (ES), não é fácil ser relator do processo em que Renan é acusado de ter despesas pessoais pagas pelo lobista da empreiteira Mendes Júnior Cláudio Gontijo. “Se fosse uma função fácil, todo mundo estava querendo”, afirmou ele, apesar de garantir não existir impasse.

 

Ele disse que o presidente do Conselho, Sibá Machado (PT-AC), ainda não convidou ninguém para a função de substituir Cafeteira. E ninguém se articula para assumir a relatoria, de acordo com Casagrande. O líder do PSB disse que Siba indicará até amanhã o novo relator do caso.

 

O relatório de Cafeteira pede a absolvição de Renan. Mas a votação foi adiada para que a Polícia Federal analise documentos apresentados pelo presidente do Senado. A papelada foi juntada para provar que Renan recebeu dinheiro de venda de gado e, assim, não precisaria da ajuda de lobistas para pagar despesas pessoais.

 

De acordo com Casagrande, o novo relator deve apenas complementar o trabalho de Cafeteira com a análise da perícia da Polícia Federal. Ou seja, não caberá divergência sobre o tema, até porque alguns senadores – na sessão de sexta-feira – já manifestaram seus votos sobre o texto do relator anterior.

 

Para o líder do PSB, não existe possibilidade de a perícia da PF ser feita de maneira apressada e sem consistência. Se o trabalho policial ficar pronto hoje, Casagrande calcula que a votação pode acontecer amanhã (20) à tarde, como previsto por Sibá.

 

Novos documentos

 

Assim como os outros membros do Conselho, Casagrande recebeu novos documentos de Renan, nos quais ele justifica como erros de digitação os recebimentos de venda de bois feitos com os mesmos cheques. Para o líder do PSB, a seqüência de retificações de Renan não é indício de que os documentos foram produzidos às pressas. “Se foram produzidos de afogadilho, o Renan é muito rápido. Juntar, em 12 horas, esse monte de documentos é uma coisa incrível.”

 

Casagrande não acredita que seus colegas devam decidir sobre a saída do presidente do Senado. “O senador Renan Calheiros... ele deve fazer essa avaliação.”

 

Divergência

 

O líder do PSDB e suplente no Conselho de Ética, Arthur Virgílio (AM), diverge de Casagrande quanto à função do novo relator. Ele acredita que o substituto de Cafeteira pode, sim, apresentar um parecer diferente do anterior. “Se não, não precisaria de um relator novo”, comentou.

 

Virgílio se reúne hoje com os tucanos titulares no Conselho, Marconi Perillo (GO) e Marisa Serrano (MS), para definir a tendência de voto da bancada. “Não será um voto individual, mas do partido.” O PSDB aguarda a realização de perícia da PF e espera que ela seja aprofundada o suficiente para balizar o voto dos senadores.

 

Ao sair da reunião na liderança do PT, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), disse ainda aguardar o resultado da perícia da PF para decidir seu voto. Ele diverge de colegas de partido, ao menos na defesa veemente de Renan. (Eduardo Militão) Leia também Sibá repassará perícia da PF a senadores e advogados Caso Renan: perícia da PF pode ser inconclusiva
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