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Estatais rendem extras para ministros

1/4/2007
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Os hérois do presidente Lula, não os usineiros, mas os ministros que teriam aceitado trabalhar no primeiro escalão do governo mesmo com os baixos salários acumulam ganhos extras que variam de R$ 800 a até R$ 13.172 por mês. O tema é destaque em reportagens dos jornais paulistas Folha de S.Paulo e  O Estado de S.Paulo  nas suas edições deste domingo (1º).

"A estratégia é usada não só para melhorar o rendimento de ministros de Estado mas também o de funcionários do segundo escalão, assessores especiais ligados diretamente a Lula e até por aliados dos tempos de sindicalistas do presidente", diz a reportagem da Folha.

"Além de exigir trabalho módico - em geral os conselhos se reúnem uma vez por mês -, a remuneração mensal corresponde a até 10% do que ganham em média os diretores da empresa", reforça a matéria do Estadão.

Segundo a Folha, entre os ministros, Dilma Rousseff (Casa Civil), Silas Rondeau (Minas e Energia), Guido Mantega (Fazenda), Márcio Fortes (Cidades), Luiz Marinho (Previdência) e Paulo Bernardo (Planejamento) estão entre os que integram conselhos de administração de estatais e complementam seu salário de R$ 8.362,80, mais apartamento funcional ou auxílio moradia de R$ 1.800.

Já o Estadão destaca as opiniões de aliados do governo e oposicionistas:

“É um subterfúgio legítimo”, diz o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Ministro da Integração Nacional no primeiro mandato de Lula, Ciro integrou o Conselho da Acesita e, mais tarde, o de Itaipu. “Ganhava o mesmo salário que tinha como ministro para participar de uma reunião por mês da estatal”, diz. “Se não fosse isso, não poderia ser ministro.”

“Há lógica quando o ministro ocupa o conselho de uma estatal ligada a seu ministério. Mas não quando ele está em um conselho qualquer, só para elevar seus proventos”, discorda o deputado Mendes Thame (PSDB-SP). “Essa distorção custa caro, pois o ministro ocupa o cargo de alguém com mais familiaridade com o assunto.”

Entre os casos encontrados pela reportagem da Folha estão os do sindicalista e bancário João Vaccari Neto. Ele ocupa o assento do conselho de Itaipu Binacional e recebe R$ 13.172,00 brutos, cerca de R$ 9.000 líquidos, para participar das reuniões do conselho da hidrelétrica. "Vaccari é filiado ao PT e à CUT (Central Única dos Trabalhadores) e segundo suplente do senador Aloizio Mercadante (PT-SP)", explica a matéria.

Dois outros casos de conselheiros que atuam em estatais sem nenhuma ligação com seu trabalho de origem, diz a reportagem da Folha, são assessores especiais da Presidência: Cezar Santos Alvarez no BNB (Banco do Nordeste do Brasil) e Mirian Belchior na Eletrobras.

"O BNDES acolhe outros dois sindicalistas em seu conselho: um da CUT, seu ex-presidente João Felício, e outro da Força Sindical, João Pedro Moura. Por mês, recebem R$ 3.000. O banco informa que eles integram o conselho porque uma das principais fontes de recursos da instituição é o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador)", revela a matéria da Folha. (Lúcio Lambranho)

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