“Mandaram os nomes para a CPI do Abafão”Os governistas da CPI dos Correios transferiram ainda a responsabilidade para a CPI do Mensalão sobre futuros investigados. Entre eles, o banqueiro Daniel Dantas, que fez depósitos milionários nas contas do empresário Marcos Valério, o ex-diretor de Engenharia de Furnas Dimas Toledo, o deputado petista José Mentor (SP), relator da extinta CPI mista do Banestado. Os pefelistas, vencidos, disseram que a comissão do “mensalão” não investigará essas pessoas. “Mensalão é o buraco negro. O que for pra lá será esquecido”, afirmou Onyx Lorenzoni (RS). “Mandaram os nomes para a CPI do Abafão”, completou Antonio Carlos Magalhães Neto (BA).
Comissão define próximos depoimentosEntre outros pedidos, ao final da reunião, foram convocados doleiros suspeitos de terem realizado operações para Marcos Valério, o funcionário dos Correios Maurício Marinho, acusado de corrupção, e o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), que alega ter denunciado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o esquema de pagamento de mesada a parlamentares ainda no ano passado.Veja quais foram os requerimentos aprovados ontem:
- Convocação dos doleiros mineiros Jader Kalid e Haroldo Bicalho e Adalberto Youssef;
- Convocação do ex-diretor comercial dos Correios Carlos Eduardo Fioravante da Costa;
- Reconvocação do ex-chefe do Departamento de Administração e Compras da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos Maurício Marinho;
- Transferência de uma série de requerimentos de quebras de sigilos bancário, fiscal e telefônico e audiências públicas para a CPI do Mensalão, como os pedidos para ouvir o ex-vice-governador do DF Benedito Domingos, os deputados Raquel Teixeira (PSDB-GO) e Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), além do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).
Cerco aos fundos de pensãoOntem à noite, o presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), acertou com os parlamentares da comissão que vai criar uma nova relatoria para tratar de investigações em relação aos fundos de pensão. A tarefa deve ficar com o deputado ACM Neto.A idéia é que os trabalhos da CPI sejam divididos a partir de agora em três linhas de investigações: a corrupção nos Correios; as apurações em relação ao esquema montado por Marcos Valério, que incluirá os seus contratos de publicidade com o Banco do Brasil, e os fundos de pensão de empresas estatais.