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Governo barra convocação de Meirelles

6/9/2005
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Na sessão deliberativa da CPI dos Correios de ontem pela manhã, predominaram as disputas políticas, críticas à CPI do Mensalão e questionamentos sobre qual será o foco da comissão a partir de agora.Após ouvir em São Paulo o doleiro Antônio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, que disse poder provar o envolvimento de petistas com lavagem de dinheiro, a oposição queria convocar o ex-ministro-chefe da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência, Luiz Gushiken, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para explicar suas remessas de recursos para o exterior. O governo, contudo, barrou essas investidas.Em seguida, os oposicionistas tentaram quebrar os sigilos bancário, telefônico e fiscal do presidente do Sebrae, Paulo Okamoto. A idéia era apurar se Okamoto pagou ou não os empréstimos feitos pelo presidente. Em vão. Tentaram, também sem sucesso, aprovar a convocação de Toninho da Barcelona para novo depoimento – desta vez, no plenário da comissão.

“Mandaram os nomes para a CPI do Abafão”Os governistas da CPI dos Correios transferiram ainda a responsabilidade para a CPI do Mensalão sobre futuros investigados. Entre eles, o banqueiro Daniel Dantas, que fez depósitos milionários nas contas do empresário Marcos Valério, o ex-diretor de Engenharia de Furnas Dimas Toledo, o deputado petista José Mentor (SP), relator da extinta CPI mista do Banestado. Os pefelistas, vencidos, disseram que a comissão do “mensalão” não investigará essas pessoas. “Mensalão é o buraco negro. O que for pra lá será esquecido”, afirmou Onyx Lorenzoni (RS). “Mandaram os nomes para a CPI do Abafão”, completou Antonio Carlos Magalhães Neto (BA).

Comissão define próximos depoimentosEntre outros pedidos, ao final da reunião, foram convocados doleiros suspeitos de terem realizado operações para Marcos Valério, o funcionário dos Correios Maurício Marinho, acusado de corrupção, e o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), que alega ter denunciado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o esquema de pagamento de mesada a parlamentares ainda no ano passado.Veja quais foram os requerimentos aprovados ontem:

- Convocação dos doleiros mineiros Jader Kalid e Haroldo Bicalho e Adalberto Youssef;

- Convocação do ex-diretor comercial dos Correios Carlos Eduardo Fioravante da Costa;

- Reconvocação do ex-chefe do Departamento de Administração e Compras da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos Maurício Marinho;

- Transferência de uma série de requerimentos de quebras de sigilos bancário, fiscal e telefônico e audiências públicas para a CPI do Mensalão, como os pedidos para ouvir o ex-vice-governador do DF Benedito Domingos, os deputados Raquel Teixeira (PSDB-GO) e Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), além do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

Cerco aos fundos de pensãoOntem à noite, o presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), acertou com os parlamentares da comissão que vai criar uma nova relatoria para tratar de investigações em relação aos fundos de pensão. A tarefa deve ficar com o deputado ACM Neto.A idéia é que os trabalhos da CPI sejam divididos a partir de agora em três linhas de investigações: a corrupção nos Correios; as apurações em relação ao esquema montado por Marcos Valério, que incluirá os seus contratos de publicidade com o Banco do Brasil, e os fundos de pensão de empresas estatais.

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