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REDATA aprovado: O próximo desafio é transformar o marco legal em investimentos

Novo regime melhora as condições para atrair data centers, mas avanço dependerá de regulamentação, acesso à energia e incentivos estaduais.

8/9/2026
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A conclusão da apreciação do projeto de lei 278/2026, que institui o REDATA, pelo Congresso Nacional, após aprovação pelo Senado e seu encaminhamento à sanção presidencial, representam um avanço fundamental para o Brasil na disputa global por investimentos em infraestrutura digital. Depois de meses de discussão, o país está próximo de ter um regime capaz de enfrentar parte relevante das desvantagens tributárias que doficultam a implantação e expansão de data centers.

A conquista merece ser celebrada. Porém, a aprovação por si só ainda não garante os investimentos.

O REDATA combina incentivos à aquisição de equipamentos com contrapartidas econômicas, tecnológicas e ambientais. Ao estimular a instalação de capacidade de processamento de dados em território nacional, também atinge em uma dimensão estratégica: infraestrutura digital é hoje uma questão de competitividade e soberania.

Inteligência artificial, computação em nuvem e processamento de dados terão peso cada vez maior na economia. Ter essa infraestrutura instalada no Brasil significa atrair capital, desenvolver cadeias tecnológicas e reduzir dependências externas.

Energia firme também é competitividade

Um avanço importante do texto aprovado foi a possibilidade de compatibilizar as exigências de sustentabilidade com a necessidade de segurança energética, ao admitir fontes renováveis ou de baixa emissão. A regulamentação terá papel importante para dar contornos mais claros a essa previsão.

Para o setor, este aspecto não é um mero detalhe. Data centers são instalações que operam 24 horas por dia e precisam de fornecimento de energia contínuo e confiável. A disponibilidade de energia, seu custo e a segurança do suprimento são determinantes para a decisão de investimento.

O Brasil deve aproveitar sua extraordinária disponibilidade de fontes renováveis, sem ignorar a necessidade de fontes firmes. O gás natural, por exemplo, pode desempenhar papel complementar às renováveis, contribuindo para a segurança do suprimento. Não se trata de opor gás natural e renováveis, mas de combinar descarbonização, confiabilidade e competitividade.

O desafio da conexão

Não basta apenas ter energia disponível. É necessário conectar essas novas cargas ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

Data centers, projetos de hidrogênio de baixo carbono e outros grandes consumidores podem representar demandas de centenas de megawatts e, em alguns casos, chegar à escala de gigawatts. São cargas elevadas, muitas vezes concentradas em pontos específicos da rede.

A Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST) avançou ao criar estabelecer as Temporadas de Acesso, mas ainda há espaço para aprimorar o modelo. Em um cenário de capacidade limitada, a apresentação de uma garantia financeira onerosa não deveria ser suficiente para diferenciar os projetos.

Aprovação do regime abre caminho para novos investimentos, mas competitividade brasileira ainda depende de energia firme, conexão à rede e redução de entraves tributários.Magnific

É preciso avançar na adoção de critérios objetivos de maturidade, capazes de identificar empreendimentos com condições reais de implementação. Caso contrário, existe o risco de reservar uma capacidade escassa de transmissão para projetos que podem nunca se concretizar, enquanto investimentos mais maduros enfrentam dificuldades para se conectar.

Há, ao mesmo tempo, uma oportunidade. O sistema elétrico brasileiro vem registrando volumes crescentes de curtailment, principalmente na geração eólica e solar. A chegada de novas cargas, como data centers e hidrogênio verde, pode contribuir para absorver parte dos excedentes de energia renovável.

O desafio, portanto, é integrar expansão da geração, transmissão e novas cargas. Data centers e hidrogênio não precisam ser vistos apenas como grandes consumidores de energia: quando corretamente incorporados ao planejamento, podem também fazer parte da solução.

O próximo passo está nos Estados

A competitividade brasileira para receber data centers não será resolvida apenas com o REDATA.

Após a sanção da lei, o Confaz terá a oportunidade de avançar na proposta de um convênio que permitiria aos Estados reduzir em até 90% o ICMS incidente sobre equipamentos destinados a data centers.

Com o regime no âmbito federal aprovado, é preciso coordená-lo com os instrumentos estaduais, sob a liderança do Ministério da Fazenda. O convênio não obrigaria nenhum governo estadual a conceder o benefício. Ele apenas daria a cada Estado a possibilidade de avaliar sua adoção de acordo com sua própria estratégia de desenvolvimento e atração de investimentos.

Essa discussão também não deveria ser reduzida a uma disputa fiscal entre Estados. A verdadeira competição é entre o Brasil e outros países que estão criando condições para receber os grandes investimentos globais em infraestrutura digital. Essa é a competição que realmente importa.

Quando um empreendimento vai para São Paulo, Ceará, Rio Grande do Sul ou outro Estado, seus investimentos, empregos e efeitos econômicos permanecem no Brasil. Quando escolhe outro mercado, perdemos capital, arrecadação futura, empregos e capacidade tecnológica.

Da lei à implementação

A aprovação do REDATA demonstra que o Brasil compreendeu a dimensão dessa oportunidade. Agora começa uma etapa igualmente importante.

Será necessária uma regulamentação rápida e eficaz que dê segurança e reconheça a importância da diversidade das fontes energéticas; por regras de conexão que priorizem projetos maduros; e por uma política tributária estadual que complemente o esforço feito no âmbito federal.

O REDATA pode ajudar a transformar as vantagens brasileiras (mercado, energia renovável, território e conectividade) em investimento, infraestrutura digital, desenvolvimento tecnológico e soberania.

O Congresso deu um passo decisivo com a aprovação do REDATA. O desafio agora é transformar o marco legal em projetos efetivamente instalados no Brasil.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para redacao@congressoemfoco.com.br.

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