A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é uma vitória da democracia, da soberania nacional, dos direitos humanos e da esperança. E precisamos afirmar, com orgulho: a comunidade LGBTI+ também foi protagonista dessa conquista histórica.
Nossas redes nacionais, organizações, lideranças, movimentos sociais, intelectuais, artistas, influenciadores e familiares se mobilizaram em todas as regiões do Brasil. As Paradas do Orgulho LGBTI+ tiveram papel fundamental, levando às ruas a defesa da democracia e de um país onde todas as pessoas possam viver com dignidade.
Em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Curitiba, em Minas Gerais, na Bahia e em tantos outros lugares, as bandeiras do Brasil dividiram espaço com as bandeiras do arco-íris. A mensagem era clara: o Brasil é de todas as pessoas, e ninguém pode se apropriar dos nossos símbolos nacionais.
Vivemos também a Revolução dos Leques, com criatividade, alegria e mobilização popular. O movimento Brasil do Orgulho, a criação da Frente Ampla LGBTI+, a participação no Exército do Lula e a força da Tropa da Erika Hilton foram expressões fundamentais dessa articulação política e digital.
Transformamos nossas redes sociais, nossas ruas e nossos espaços de convivência em instrumentos de participação democrática.
O medo nos mobilizou. A esperança nos uniu.
Não podemos esquecer que o medo dos retrocessos foi um grande mobilizador da população LGBTI+.
As inúmeras declarações discriminatórias do ex-presidente Jair Bolsonaro e os posicionamentos de Flávio Bolsonaro despertaram preocupações legítimas sobre o futuro dos nossos direitos.
Grande parte das nossas conquistas foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da interpretação da Constituição de 1988. O reconhecimento das uniões homoafetivas, a proteção contra a LGBTIfobia e o direito à identidade de gênero são exemplos de avanços que precisamos preservar.
Por isso, a composição futura do STF e as indicações presidenciais têm enorme importância para nossa comunidade.
Não queremos privilégios. Queremos respeito à Constituição, igualdade perante a lei e a garantia de que nenhum direito conquistado será retirado.
Mais de 10 milhões de votos e uma representação histórica: a força política LGBTI+ também apareceu nas eleições legislativas.
Segundo levantamentos do Instituto Plena Cidadania e do Vote LGBT, 35 pessoas LGBTI+ foram eleitas em 2026, quase o dobro das 18 eleitas em 2022.
São 13 deputados e deputadas federais, uma cadeira no Senado e 21 representantes nas assembleias legislativas estaduais e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Essas candidaturas receberam, juntas, mais de 10,7 milhões de votos. Um resultado extraordinário, que demonstra a crescente capacidade de representação política da nossa população.
A expressiva votação de Erika Hilton, assim como a eleição e reeleição de outras lideranças LGBTI+, mostra que estamos ocupando espaços que historicamente nos foram negados.
E há outro motivo para celebrar: a presença significativa de mulheres, pessoas negras, trans e travestis entre as pessoas LGBTI+ eleitas.
Nossa comunidade não quer apenas ser ouvida. Quer participar das decisões sobre políticas públicas, construir leis, defender direitos e transformar o Brasil.
Uma vitória de muitas mãos e muitos corações:
A mobilização foi muito além da população LGBTI+.
Mães, pais, familiares e amigos participaram ativamente. Mulheres, pessoas negras, indígenas, pessoas com deficiência, nordestinos, trabalhadores e movimentos sociais também tiveram papel essencial nessa construção democrática.
Foi emocionante ver pessoas idosas, pessoas em cadeiras de rodas e cidadãos com grandes dificuldades de locomoção fazendo questão de votar.
A redução da abstenção no segundo turno mostrou que milhões de brasileiros compreenderam a importância daquele momento.
Também precisamos rejeitar os discursos de preconceito contra nordestinos, as ofensas relacionadas a características físicas e qualquer tentativa de transformar diferenças humanas em instrumentos de humilhação.
O Brasil é grande justamente porque é diverso.
O Brasil mostrou sua força ao mundo.
A vitória de Lula tem significado para toda a América Latina.
O Brasil reafirmou sua soberania diante das pressões internacionais, da influência política de Donald Trump, do poder econômico das grandes plataformas digitais, como a Meta, e dos setores que resistem à proteção ambiental e ao avanço dos direitos humanos.
Nenhum poder econômico ou político pode estar acima da democracia e da vontade popular.
A reeleição de Lula, com mais de 64 milhões de votos, mostrou a força das instituições brasileiras e a importância da participação cidadã.
É legítimo discordar dos resultados e utilizar os mecanismos legais de contestação. Mas a democracia exige coerência: as eleições não podem ser consideradas legítimas apenas quando vence o nosso candidato.
A vitória é uma conquista. O compromisso continua.
Agora precisamos transformar a esperança em políticas públicas concretas.
Queremos mais investimentos no enfrentamento à LGBTIfobia, na saúde integral das pessoas LGBTI+, na educação inclusiva, na empregabilidade, na segurança e na proteção das pessoas trans e travestis, das pessoas LGBTI+ idosas e de todas aquelas em situação de vulnerabilidade.
Queremos orçamento, participação social e políticas que cheguem aos municípios e às comunidades que mais precisam.
Agradecemos ao presidente Lula, às lideranças políticas, aos movimentos sociais e a todas as pessoas que contribuíram para essa vitória. Reconhecemos também o trabalho de José Guimarães, André Janones, Erika Hilton e tantas outras lideranças que ajudaram a mobilizar a sociedade.
Olhamos para 2030 com a certeza de que o Brasil precisa continuar formando novas lideranças democráticas, comprometidas com a justiça social, a igualdade e a soberania nacional.
Nossa expectativa é que Lula realize um governo de grandes avanços para a população LGBTI+ e para todas as brasileiras e todos os brasileiros. E continuaremos mobilizados para apoiar, propor, cobrar e fiscalizar.
A população LGBTI+ não foi espectadora dessa vitória. Foi parte de sua construção.
Celebramos por quem lutou antes de nós, por quem enfrenta a discriminação hoje e pelas futuras gerações que merecem viver em um país sem medo e sem preconceito.
A democracia venceu. A esperança venceu. O Brasil venceu.
Viva a democracia! Viva a soberania nacional! Viva os direitos humanos! Viva as políticas sociais! Viva a população LGBTI+!
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