Um acontecimento histórico surpreendente marcou o segundo turno das eleições presidenciais brasileiras: a vitória popular diante dos grandes conglomerados de comunicação, das grandes empresas de tecnologia (big techs), da elite empresarial da Faria Lima, de setores evangélicos neopentecostais e da extrema-direita representada pelo bolsonarismo. É importante acrescentar: foi também uma vitória diante da interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral, em uma tentativa de questionar a soberania nacional, e da suposta parcialidade da presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em favor de um dos candidatos.
O dia da eleição foi marcado pelo boicote ao transporte público em algumas cidades do país, em uma clara tentativa de interferir no exercício da democracia e impedir que brasileiros pudessem exercer plenamente seu direito de cidadania. Felizmente, os responsáveis por essa iniciativa não conseguiram conter a mobilização popular. Em diferentes pontos do país, assistiu-se a uma comovente união de gerações contra as forças obscurantistas da extrema-direita.
Jovens e estudantes se mobilizaram nas ruas e nas redes sociais, enquanto os mais velhos foram às urnas acompanhados pelas novas gerações. Emocionaram as imagens de filhos e netos ajudando pais e avós a chegar aos locais de votação, muitos deles com limitações decorrentes da idade avançada ou de doenças crônicas.
Essa foi também uma resposta às provocações do então candidato Flávio Bolsonaro, que ironizou a idade de Lula, questionou sua lucidez e fez comentários sobre sua voz rouca, alterada pelo câncer de laringe que o havia acometido. Durante o debate eleitoral, ao fazer uma observação infeliz sobre os nove dedos de Lula, atingiu também as pessoas com deficiência e os trabalhadores que sofreram amputações em acidentes de trabalho. A resposta ao preconceito veio das urnas, com uma diferença superior a quatro milhões de votos em favor de Lula.
Foi uma vitória que ficará na memória. Uma verdadeira celebração da cidadania, expressa também na redução da abstenção e dos votos brancos e nulos. A maioria dos eleitores quis demonstrar, por meio do voto, sua oposição a qualquer tentativa de ruptura institucional e sua disposição de defender a Constituição e o Estado Democrático de Direito.
É inegável que André Janones, deputado federal por Minas Gerais, teve papel importante nas redes sociais e nas plataformas digitais. Ele mobilizou uma comunidade virtual de mais de dez milhões de pessoas para contornar os mecanismos de distribuição de conteúdo da Meta. Mas essa vitória pertence a todos os que acreditam que ainda é possível construir um país mais justo e menos desigual. Trata-se de um acontecimento de grande significado na história republicana brasileira.
O dia 25 de outubro de 2026 também evoca a Revolução dos Cravos, ocorrida em 25 de abril de 1974, quando o povo português, em adesão ao Movimento das Forças Armadas (MFA), ocupou as ruas e contribuiu decisivamente para derrubar uma das mais longas ditaduras da história europeia.
Lembrei-me de Chico Buarque e de sua canção Tanto Mar, composta em homenagem à revolução portuguesa: Foi bonita a festa, pá. Fiquei contente, ainda guardo renitente, um cravo para mim.... O cravo vermelho tornou-se, assim, símbolo daquela conquista histórica e da esperança de liberdade.
Viva a democracia e a soberania nacional! E, como historiador, encerro este texto evocando os versos do Hino da Independência do Brasil, composto em 1822: "Brava gente brasileira, longe vá temor servil, ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil!".
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para redacao@congressoemfoco.com.br.