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Covid-19 [fotografo] TV Cultura [/fotografo]
Um dos perigos da tragédia prolongada é a sua banalização. Mais de cem mil mortos em cinco meses não podem nos fazer “tocar a vida” como se nada houvesse. Equivalem a 33 ataques de 11 de setembro de 2001 em cinco meses. Mil mortos a cada dia pela covid-19 são como três rompimentos da barragem de Brumadinho, ou mais de dois aviões Boeing lotados caindo a cada dia no país sem sobreviventes.
Negacionismo, falta de coordenação nacional nas ações e nas compras, investimentos em medicamentos sem comprovação, conflito com governadores são algumas das respostas erráticas que demonstram nossa incapacidade em lidar com a pandemia. Temos de reconhecer que a doença, por ser de transmissão fácil e ainda desconhecida, de todo modo, vitimaria aos milhares. Mas há que se admitir que ações mais efetivas ao coronavírus teriam poupado outras milhares de vidas.
Além destas razões explicarem em parte o nosso fracasso no combate à pandemia, uma pesquisa feita pela BBC News Brasil entre líderes, pesquisadores e profissionais de saúde revelou outros equívocos do país. Ausência de um plano nacional de combate à doença e de testagem em massa, baixas taxas de isolamento social, hospitais de campanha chegando tardiamente, falta de uma política para as populações mais vulneráveis, como os indígenas e os mais pobres, completam o receituário desastroso na condução da crise sanitária.