Notícias

Operação da PF provoca briga entre senadores

9/7/2008
Publicidade
Expandir publicidade
Chegaram ao plenário do Senado os efeitos dos supostos excessos da ação da Polícia Federal (PF) que levou ontem (8) à cadeia o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e figurões da economia nacional. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) e o líder do PSDB na Casa, Arthur Virgílio (AM), protagonizaram um tenso bate-boca há pouco, uma vez que ambos discordam dos métodos usados pela PF na Operação Satiagraha, que desbaratou atos de corrupção envolvendo grandes quantias de dinheiro.

Tudo começou quando Pedro Simon discursava na tribuna e, diante das críticas de alguns senadores à suposta truculência da PF na execução das prisões, reagiu questionando se alguma vez houve reação no Senado contra a prisão de pobres em comunidades carentes. “É importante que o Brasil possa fazer com que a Justiça exista para todos, e que não só ladrão de galinha vá para a cadeia”, bradou o parlamentar gaúcho, fazendo referência ao histórico de facilidades verificadas na Justiça brasileira para criminosos de classe social privilegiada. Foi então que Arthur Virgílio, visivelmente irritado, "exigiu" o uso da palavra depois do colega. 

Em meio ao já instalado bate-boca, o parlamentar amazonense subiu à tribuna diametralmente oposta no plenário. Simon disse que o tucano estava usando irregularmente o microfone.  "Quem está irregular é o presidente do Banrisul [Fernando Lemos, afilhado político de Simon sob suspeita de corrupção no Rio Grande do Sul]", atacou Virgílio. O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), valeu-se do posto e determinou que Virgílio deixasse a tribuna.     Depois de encerrado o discurso de Simon, Arthur Virgilio voltou a ocupar a tribuna e criticar o que chamou de truculência e o suposto caráter midiático da operação, levada aos veículos de comunicação minutos antes de ser deflagrada. Houve vazamento de informações para o jornal Folha de S.Paulo – o que é proibido pela Constituição. Como Virgílio excedeu seu tempo fazendo as críticas, Simon intercedeu e pediu que ele deixasse a tribuna. “Essa hipocrisia não passa de hoje. Hoje a máscara cai”, rebateu o tucano, já com os microfones da tribuna desligados, deixando-a diante do apelo de Garibaldi Alves.

Relativamente acalmados os ânimos, Pedro Simon retornou à tribuna e fez um discurso conciliatório, que culminou em aplausos contidos de alguns senadores e um respeitoso abraço em Virgílio. "Tenho muito orgulho do Senado. Tenho muito orgulho da presença dos senhores", disse Simon, destacando que não teria problema em ir ao gabinete de Virgílio aprofundar o debate.   Celso Pitta, o banqueiro Daniel Dantas e o investidor Naji Nahas, foram presos ontem pela PF com grande cobertura da mídia, o que foi criticado por até pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes. Eles são acusados de atos de corrupção envolvendo vultosas movimentações financeiras. (Fábio Góis) Leia  mais Presidente do STF adia decisão sobre habeas corpus PF vai apurar origem do dinheiro de Celso Pitta MPF-SP acusa Daniel Dantas de tentativa de suborno

Matéria atualizada às 16:35. 

Veja mais no portal
cadastre-se, comente, saiba mais

Notícias Mais Lidas

Artigos Mais Lidos