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Eleições

A escolha que nos define

O voto deixou de ser rotina eleitoral e passou a ser uma escolha ética sobre o tipo de país que aceitamos construir em nosso nome.

Cristian Viana

Cristian Viana

9/2/2026 16:00

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O Brasil chega a 2026 em estado de cansaço moral. Não é apenas exaustão econômica, nem simples fadiga política. É algo mais profundo. Uma sensação difusa de que, a cada eleição, fomos reduzindo o sentido do voto até transformá-lo em gesto automático, quase burocrático, quando ele sempre foi e continua sendo um ato fundador da vida coletiva. Em 2026, essa redução já não é mais possível. O país se encontra diante de uma escolha que não é apenas administrativa ou partidária, mas ética, cultural e civilizatória.

Votar, neste momento da história brasileira, não pode ser tratado como um hábito. É uma tomada de posição. O voto não é neutro, não é inofensivo, não é descartável. Ele carrega uma visão de homem, de sociedade e de futuro. Cada escolha eleitoral reafirma ou corrige o tipo de país que estamos construindo e, principalmente, o tipo de país que estamos permitindo que se construa em nosso nome.

O Brasil vive uma tensão permanente entre duas forças legítimas. De um lado, a necessidade de ordem, responsabilidade e previsibilidade institucional. De outro, a exigência de justiça social, dignidade humana e inclusão real. Quando essas forças caminham juntas, o país avança. Quando uma tenta destruir a outra, o resultado é sempre o mesmo. Paralisia, ressentimento e radicalização estéril. O drama brasileiro não é a existência dessa tensão, mas a incapacidade de mantê-la viva de forma madura, sem transformá-la em guerra moral.

Nenhuma sociedade se sustenta sem regras claras, autoridade legítima, respeito à lei e valorização do mérito. Um Estado que tudo promete e tudo absorve termina infantilizando o cidadão e dissolvendo a responsabilidade individual. A ordem não é inimiga da liberdade. Ao contrário, é sua condição de existência. Um país sem instituições fortes, sem disciplina pública e sem compromisso com o dever não produz justiça. Produz improviso.

Sem equilíbrio entre ordem e justiça social, o país repete ciclos de radicalização, ressentimento e instabilidade institucional.

Sem equilíbrio entre ordem e justiça social, o país repete ciclos de radicalização, ressentimento e instabilidade institucional.Freepik

Ao mesmo tempo, o crescimento econômico, quando se torna um fim em si mesmo, perde sua razão de ser. Não há prosperidade legítima em uma sociedade que naturaliza a exclusão, relativiza a dignidade humana ou aceita que parcelas inteiras da população sejam tratadas como estatística. Justiça não é concessão ideológica. É fundamento civilizatório. O desenvolvimento só se justifica quando amplia possibilidades reais de vida para todos, especialmente para os mais vulneráveis.

O Brasil adoece quando transforma essas duas dimensões em caricaturas. Quando a defesa da ordem vira insensibilidade social. Quando a luta por justiça se converte em ressentimento permanente ou irresponsabilidade institucional. O país não precisa escolher entre uma coisa e outra. Precisa escolher maturidade. Precisa escolher equilíbrio. Precisa escolher um projeto que seja firme sem ser cruel, sensível sem ser ingênuo, ambicioso sem ser delirante.

É por isso que 2026 exige mais do eleitor do que entusiasmo ou indignação momentânea. Exige memória. Memória de quem governou com seriedade e de quem tratou o poder como palco. Exige razão. Capacidade de distinguir propostas estruturantes de promessas emocionalmente convenientes. Exige consciência moral. A coragem de votar não apenas no que agrada, mas no que sustenta o país no longo prazo.

Não existe voto salvador. Não existe escolha sem custo. Toda decisão carrega consequências. Inclusive a decisão de votar por impulso, por cansaço ou por conveniência. Democracias não colapsam apenas por rupturas abruptas. Elas se deterioram lentamente quando cidadãos abdicam da responsabilidade de pensar.

O Brasil que emergirá após 2026 será o reflexo direto das escolhas feitas agora. Se continuarmos tratando o país como espaço de disputa emocional, colheremos instabilidade. Se passarmos a tratá-lo como herança comum e tarefa histórica, abriremos espaço para reconstrução.

O voto não encerra a transformação nacional. Ele inaugura compromissos. Mas nenhum compromisso coletivo se sustenta quando nasce da mentira, do fanatismo ou da indiferença.

Por isso, a convocação é simples e profunda. Vote com seriedade. Vote com consciência limpa. Rejeite a sedução fácil, o discurso vazio, o cinismo travestido de novidade. Cobre mais de quem se apresenta como líder, mas comece cobrando mais de si mesmo enquanto cidadão.

O Brasil não precisa apenas de bons governantes. Precisa de uma sociedade adulta, capaz de entender que o futuro não se improvisa e que nenhuma nação se constrói sem responsabilidade compartilhada.

2026 não é apenas mais um ano eleitoral.

É um momento de definição.

Que o voto depositado nas urnas seja digno do país que ainda acreditamos ser possível construir e do legado que pretendemos deixar.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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