O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) leu hoje, na CPI dos Bingos, o depoimento de uma testemunha ouvida pela Polícia Civil de São Paulo durante as investigações do caso Celso Daniel, prefeito de Santo André assassinado em 2002.
Em seu relato, a testemunha, que tem a identidade guardada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), disse que viu uma camionete de cor preta parada em um local iluminado, fechada por um carro de pequeno porte. Do lado de fora, um homem conversava ao celular, enquanto outro rapaz, de dentro do veículo menor, vigiava a área com uma arma nas mãos.
A cena foi vista por volta das 23h. A testemunha afirmou que, quando passou ao lado da camionete, avistou uma pessoa de cabelos grisalhos com a cabeça encostada no vidro, como se estivesse desmaiada. Depois, observou que o rapaz armado lhe apontara o revolver e bateu em retirada, com medo levar um tiro.
Posteriormente, a testemunha afirmou que pode constatar, com base em reportagens de jornal, que o homem ao celular era Sérgio Oliveira, "o sombra", apontado como mandante do assassinato de Celso Daniel. O depoente identificou também o homem de cabelos grisalhos como o prefeito morto e a camionete preta como a Mitsubshi Pajero que ele dirigia na noite do crime.
O depoimento é semelhante ao de outra testemunha, também com a identidade sob sigilo, que esteve próximo ao local na hora do crime, na noite do dia 18 de janeiro de 2002. A CPI pretende pedir uma audiência secreta com o autor do depoimento apresentado por Suplicy.
Em 2002, Celso Daniel foi seqüestrado depois de sair de um restaurante e encontrado morto no dia seguinte em um matagal. Na época, a polícia considerou a hipótese de crime comum como a mais plausível. Porém, depois das denúncias de caixa dois envolvendo o PT, o caso voltou à tona, sob a suspeita de motivações políticas.