Em apenas dois dias (29 e 30 de junho), o governo Lula comprometeu em convênios R$ 1,8 bilhão, o equivalente a 30% do valor do mês de junho, que, por sua vez, representou 74% dos empenhos lançados no ano. Nos primeiros seis meses de 2006, os empenhos - uma reserva de dinheiro que antecede o gasto público - bateram o recorde de R$ 7,9 bilhões.
O valor, diz reportagem da Folha de S. Paulo, supera de longe os R$ 4,3 bilhões de investimentos empenhados entre janeiro de junho de 2002, no último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, em valores corrigidos pela inflação.
Uma diferença importante entre os dois momentos é que o ritmo de pagamento das despesas em 2006 não acompanha o ritmo acelerado dos empenhos. O resultado, pelo volume de contas pendentes que Lula acumula, complica a gestão das contas públicas em 2007. O cancelamento de parte das despesas empenhadas no período eleitoral não está descartada.
Dos R$ 7,9 bilhões empenhados no primeiro semestre do ano em que Lula tenta a reeleição, só R$ 668 milhões foram pagos até o dia 30, conta a repórter Marta Salomon. Consideradas contas pendentes de anos anteriores pagas nesse período, os pagamentos estão aquém dos valores registrados nos dois últimos anos do governo FHC. A seis meses do fim do mandato, Lula acumula compromissos de gastos com investimentos de mais de R$ 15 bilhões; deles, R$ 8 bilhões dificilmente serão honrados neste ano.
Levantamento feito pela ONG Contas Abertas mostra que os investimentos dos ministérios das Cidades, dos Transportes e da Saúde, cujos programas têm forte apelo eleitoral, tiveram o ritmo mais acelerado. Foram mais de R$ 1 bilhão comprometidos em cada uma das três pastas. Os dados são do Siafi, o sistema de acompanhamento de gastos federais.
Mais da metade dos compromissos de gastos registrados no Ministério das Cidades refere-se a obras de infra-estrutura urbana em favelas e construção de moradias para população de baixa renda. Em mensagem a prefeitos e governadores, o ministro das Cidades, Marcio Fortes, pediu pressa e lembrou as restrições impostas pela legislação eleitoral, que proíbe repasse de dinheiro público da União para obras que não tiveram convênio assinado até sexta-feira.