O Supremo Tribunal Federal (STF) deu início, nesta segunda-feira (28), à última fase dos interrogatórios dos réus envolvidos na tentativa de golpe de Estado em 2022. A 1ª Turma da Corte ouve os integrantes do chamado "núcleo 3" da Ação Penal 2.696 grupo responsável, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), pelas ações de campo da trama golpista para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder.
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Entre os dez acusados estão nove militares do Exército, apelidados de "kids pretos" por atuarem em forças especiais, e um agente da Polícia Federal. Segundo a denúncia da PGR, eles formavam a linha de frente das ações operacionais do suposto plano golpista, que incluía monitoramento de autoridades, sequestros e até assassinatos de líderes dos Três Poderes.
A lista dos réus é composta por:
- Bernardo Romão Correa Netto coronel do Exército
- Fabrício Moreira de Bastos coronel do Exército
- Márcio Nunes de Resende Jr. coronel do Exército
- Hélio Ferreira Lima tenente-coronel do Exército
- Rafael Martins de Oliveira tenente-coronel do Exército
- Rodrigo Bezerra de Azevedo tenente-coronel do Exército
- Ronald Ferreira de Araújo Jr. tenente-coronel do Exército
- Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros tenente-coronel do Exército
- Estevam Theophilo Gaspar de Oliveira general da reserva do Exército
- Wladimir Matos Soares agente da Polícia Federal
Acusações graves
De acordo com a PGR, os integrantes do núcleo 3 não apenas participaram da logística da tentativa de golpe, mas também planejavam ações extremas, como o assassinato do presidente Lula (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do caso. O objetivo seria desestabilizar o governo eleito e pressionar o alto comando militar a aderir ao movimento golpista.
A denúncia afirma que o grupo tinha papel central na execução de medidas táticas para efetivar o golpe, com uso da força e da intimidação, compondo a "linha de ação armada" da articulação.
As audiências ocorrem por videoconferência e seguem ordem alfabética, conforme decisão da juíza auxiliar Luciana Yuki Fugishita Sorrentino, do gabinete de Moraes. A convocação desta etapa foi confirmada no último dia 23 de julho e marca o encerramento da fase de interrogatórios do processo.
A ação penal que julga os atos antidemocráticos de 2022 é uma das mais complexas conduzidas pelo STF nos últimos anos e tem desdobramentos envolvendo diferentes núcleos, desde militares da ativa e da reserva até ex-ministros e auxiliares diretos de Bolsonaro, além do próprio ex-presidente.
Com o fim dos interrogatórios, o processo segue para a fase de alegações finais e posterior julgamento. A expectativa é de que o STF avance nas condenações dos diferentes núcleos da trama golpista ainda em 2025, consolidando a responsabilização dos envolvidos na tentativa de ruptura democrática.